Porque deturpamos tanto a visão do Criador?

Por Fábio Duarte,

Desde o Fiat Lux da humanidade na Terra, fomos criando nossas divindades, a fim de sanar nossos anseios por respostas lógicas do porque de nossa existência, ou também o de nossos sofrimentos.

Entender Deus é ilógico para muitos, bem óbvio para outros, mas sem uma profundidade que consolide a certeza absoluta nesta crença que está intrínseca na mente de todos. Mesmo os que duvidam passam a vida buscando provar suas convicções, por quê? Insegurança?

No inicio dos tempos os homens interpretaram a existência divina das mais diversas maneiras, claro que tudo condizente com sua condição primitiva e inicial. A arquitetura divina pelos povos foi muito criativa, a ponto de imputar imperfeições aos seus deuses, até na criação da humanidade, afinal é notório que os homens já sentiam em seu âmago a “injustiça” a que eram expostos, o esforço que muitas vezes não era recompensado. Os povos “caçadores-coletores” só conheciam suas ferramentas e a busca incessante por alimento e procriação os faziam associar seus instrumentos a divindade que os mantém.

Com o passar dos séculos e da jornada humana aqui na terra, fomos aprendendo, e nos desenvolvendo, inclusive a formular nossos deuses, a complexidade de algumas divindades já começa a nos mostrar o salto intelectual de muitos povos.  Os sumérios mantinham uma série de deusas antropomórficas cada qual com sua representação, sendo inspiração para os prósteros, como os gregos, egípcios, e muitos outros. Mas vejam que esta relação é pessoal uma vez que este desenvolvimento divino se dá em várias partes do mundo, mesmo sem o contato, ou troca de experiência. Algo que imerge do interior do ser, uma necessidade que é avalizada com a resposta que os Espíritos nos dão em O Livro dos Espíritos:

“Se o sentimento da existência de um ser supremo não

fosse mais que o produto de um ensinamento, não seria

universal e nem existiria, como as noções cientificas,

senão entre os que tivessem podido receber esse

ensinamento.”

Também Descartes que nos fala na terceira de suas Meditações Metafísicas, declara que a idéia de Deus está impressa no homem “como a marca do obreiro na sua obra”. Essa idéia de Deus é inata no homem e o impele à perfeição. Mesmo com a negativa das Psicologias modernas em afirmar não podermos ter idéias inatas, as provas são fulgurantes aos olhos de quem as quer ver.

O politeísmo começa a perder força no mundo no transcorrer dos séculos, mas o antropoformismo não, ao contrário, a materialidade que é exposta a humanidade os leva a manter estes deuses mais perto de nós, e conforme nossas conveniências e anseios particulares, mas em contrapartida muitos viram-se para as praticas exteriores deixando de lado os deuses, aparentemente, e dando vazão ao pensar associado à místicas e rituais, provas disto são as culturas orientais, que se pautam em conceitos não-teísticos, filosofias de transformação do ser por si mesmos, mas amparados por tradições antigas.

Só que agora o homem já pensa com mais clareza, não aceita idéias vagas e assim surge o materialismo insurgente e com pujante e vigor, a própria ambição das religiões que tomadas por egoísmo e domínio se equivocam cada vez mais na tentativa de manter seus deuses, muito filósofos ganham força e com razão.

Feuerbach nos brinda com suas conclusões movidas também pelo iluminismo, “Deus é apenas projeção ou reflexo que o homem faz de si mesmo”, mas em contrapartida o Deus que criou os homens ressurge grandiosamente através da Doutrina dos Espíritos, e de um pensador isento de religiosismos que é Allan Kardec e começa a dissociação do antropoformismo à crença divina nos inquirindo com perguntas sábias e precisas. Tendo como obra básica o livro que aborda os princípios espiritualistas e tendo como sua primeira pergunta, O Que é Deus? E sua resposta racional sem opções para duplas interpretações: “ – Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”

deturpamos espiritismo criador

A partir deste novo norte a que a humanidade é exposta temos bases concretas para começarmos a concatenar novas idéias de perfectibilidade a que todos estamos expostos, a que todos vamos alcançar graças a providência divina que não é injusta e nos permite navegarmos pelo livre arbítrio sem culpas ou rancores, apenas buscando nos reabilitarmos conforme nossa condição, afinal a caridade parte de nós e basta apenas que queiramos colocá-la em ação.

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Sobre Fábio Duarte

@FabioDuarte_BH
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