O Ensaio da Morte

a morte física na era da tomografia computadorizada e pós-Kardec

 

Os mutilados vivem com a ausência das suas partes que“morreram”. Olham suas extremidades faltantes. Há impacto de partes “mortas”. Mas, a pessoa está viva. Aquela parte que“morreu” lhe tirou alguma habilidade ou talento. Mas, a pessoa prossegue a vida com deficiência física ou mental …

É antiga a questão do homem sobre a morte. Os filósofos gregos já falavam da alma. Allan Kardec denominou de espírito (1855) e Chico Xavier, em 1943 em seu livro mediúnico “missionários da luz” divulgou, através do espírito “Alexandre”, sobre a existência da alma – o espírito encarnado, ligado ao corpo – e da glândula pineal ou epífise, que é a última porção organizada da matéria orgânica. Por que é a última porção da matéria?

Através das guerras e das chacinas, em mortes e mutilações dos corpos humanos, e a partir das mutilações e mortes, nas fábricas no início da revolução industrial, de 1780 a 1890, a humanidade passou a enfrentar um novo tipo de mortandade. Além das doenças contagiosas, das pestes e das guerras “tradicionais”.

Mas, o trato científico das mutilações só começou com a revolução industrial – Inglaterra, já que não se podia ficar mutilado no trabalho, num clima que não era o de guerra. E os mutilados sempre despertaram a curiosidade das pessoas. O maneta, o perneta, o sem dedos, o sem olhos (cego), o paralítico, o tetraplégico sempre foram, desde as guerras primitivas, curiosidades sociais. Chegaram até virar curiosidades de circos e apresentações macabras.

Durante a 1ª Grande Guerra Mundial começaram a surgir os relatórios médicos sobre feridos, mutilados e mortos. E havia uma curiosidade básica, sobre os mutilados: se sentiram dores, se chegaram a se adaptar com a situação, se têm sonhos portando os membros perdidos / decepados ou os sentidos sensoriais perdidos, se ainda sentem a presença dos membros e etc.

A própria medicina evoluiu com os aparelhos de suporte e sustentação da vida, mecanismos de ressuscitação, medicamentos poderosos, formas de alimentação do mutilado, recursos de próteses, a medicina robótica, cirurgias com visão microscópica e captação de imagens e etc. além de tecnologia de “re-implantes” ou enxertos compatíveis.

Hoje uma pessoa pode passar 10, 20 ou 30 anos “ligada” a aparelhos de suporte e sustentação da vida, como em “estado de coma” – e voltar à vida como conhecemos. E não é “considerada morta”. Está viva desde que suas funções cerebrais, numa dada escala de referência para classificar reações, interações ou reflexos, ainda permaneçam em “funcionamento”. A audição fica em funcionamento, assim como a visão, o olfato e o paladar. Os órgãos internos funcionam e por isso devem ser “alimentados”. As funções fisiológicas continuam “operando” suas excreções.

Os mutilados vivem com a ausência das suas partes que “morreram”. Olham suas extremidades faltantes. Há impacto de partes “mortas”. Mas, a pessoa está viva. Aquela parte que “morreu” lhe tirou alguma habilidade ou talento. Mas, a pessoa prossegue a vida com deficiência física ou mental. Mas está viva.

Os soldados sempre comentaram, após as guerras, que seus amigos mortos, eram tirados do convívio militar, através da morte em combate. E havia o vazio. Todo o corpo do soldado morto, deveria ser enterrado. E, portanto, esse desapareceu para a vida. Quando morre um ente querido nosso esse impacto acontece. Mas, na guerra isso ocorre a toda hora, muito embora o pequeno tempo de convívio entre eles, a luta pela vida na guerra produz laços vívidos e permanentes.

Alguns soldados chegam a “conviver” com seus amigos “mortos”, que os acompanham nas batalhas e nas campanhas, que ainda continuam a ocorrerem. Não é surto ou histeria é que o soldado vive no “dualismo entre a vida e a morte”. Entre ver a alma e ver o corpo …

Recentemente, desde os anos 1950, após a 2ª Grande Guerra Mundial, começaram a surgir relatos de soldados, em atendimento emergencial, quase “mortos”, caminhando para o óbito, que relatavam após serem ressuscitados tudo que os seus atendentes conversaram.

E que estiveram “flutuando” sobre o cenário cirúrgico, vendo seus corpos serem “atendidos”. Mais tarde os médicos de diversos hospitais iniciaram relatos semelhantes. Quando começou a “era da investigação científica” de tais relatos.

Desde Alan Kardec, França – entre 1855 e 1865, quem codificou o espiritismo, a questão da manifestação do espírito, e da vida após a morte, vista como ciência, despertou a curiosidade em se investigar instrumentalmente os fenômenos entre a vida e a morte.

Tendo já havido a acumulação de conhecimentos sobre o corpo humano e de quase todas as suas funções, órgãos e sistemas a ciência pode ir determinando o “ponto em que a pessoa ainda está viva e o limite além no qual ela estará morta”. Mas, morta para o mundo material.

O mistério todo se assenta no nosso “cérebro”. O cérebro é o órgão do corpo humano que expressa a vida sensorial e cognitiva do homem, como um todo. A comunicação humana é comandada por ele. As funções analíticas e de criação. As artes e de inventividade. As funções voluntárias e as involuntárias. Batimentos cardíacos, pressão e fluxos, energia e as atividades motoras e fisiológicas.

O cérebro comanda as percepções sensoriais dos sentidos, conjuga uma combinação grandiosa de entendimentos e compreensão, acumula informações, como um arquivo, de armazenamento aleatório, possui setorização especializada, com localizações específicas, para a fala, o raciocínio, as atividades de todo o organismo, para os rins, o fígado, os intestinos, os pulmões (oxigenação), o estômago (alimentação) e etc.

A ciência diz que o cérebro nos confere a expressão da plenitude da vida, sua enigmática captação tridimensional, a percepção ponderada do nosso “sentimento de corpo”, sua forma, dimensões, estética, sons, imagens, odores, sabores, sensações térmicas e táteis, humores, pendores e etc.

O corpo humano tem uma estruturação organizada da matéria, para a nossa percepção da existência física. Onde de fato “existimos” é no computador chamado cérebro. Dentro da nossa caixa craniana … As demais partes do corpo são mecanismos biológicos para a sustentação da vida alojada no cérebro, o qual nos dá a percepção de toda a dimensão de nossa existência … Do corpo e de tudo mais.

 

Engº Lewton Burity Verri

CREA 74-1-01852-8 UFF – RJ

Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/o-ensaio-da-morte-a-morte-fisica-na-era-da-tomografia-computadorizada-e-pos-kardec/56090/

 

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Sobre Fábio Duarte

@FabioDuarte_BH
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