A MORTE ANTE O ENIGMA DA VIDA

Milton R. Medran Moreira*

A morte é provavelmente a maior invenção da vida.

Steve Jobs

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A morte do bem-sucedido empreendedor norte-americano Steve Jobs, mês passado, acabou por resgatar aspectos interessantíssimos de sua vida. A ampla divulgação de um discurso por ele pronunciado em 2005 a formandos da Universidade de Stanford revelou seu profundo discernimento acerca do fenômeno da vida e da morte. Contou que ao se saber portador de um câncer de que foi acometido ainda relativamente jovem, decidiu pôr em prática o ensinamento de que se deve viver cada dia como se fosse o último da vida. Lembrando que ninguém quer morrer, mesmo aqueles que acham que vão para o Paraíso, seu discurso, no entanto, sugere que a morte deve ser tema de reflexão diária, além de estímulo a uma vida correta e útil.

Antes de Jobs, importante filósofo patrício seu, George Santayana, escreveu que o verdadeiro valor de uma filosofia deve ser medido pela forma como ela encara a morte, Talvez esteja aí a razão pela qual a filosofia espírita, busque, legitimamente, entre nós, assumir merecida relevância cultural e social . Como costumava dizer o insigne escritor, orador e pesquisador espírita brasileiro, Henrique Rodrigues, à luz da filosofia espírita, morte não é o contrário de vida. Se quisermos buscar um antônimo para morte, poderemos encontrá-lo no termo nascimento, pois, na verdade, tanto este como a morte são meros episódios inerentes à vida.

Pensar a vida no contexto de uma filosofia dinâmica e evolucionista é, mais do que vê-la apenas como continuação da vida, tal qual pregam as religiões. É contemplá-la dialeticamente como nascimento-morte-renascimento, etapas da necessária e permanente renovação do espírito. Nesse sentido, foi, igualmente, precisa a mensagem deixada por Steve Jobs aos universitários de Stanford, aos definir a morte como “o agente de mudanças da vida”, na medida em que “remove o velho e abre caminho para o novo”.

Enfim, é preciso convir que nada é inútil na vida. Tudo tem seu lugar e significação, muito embora, na posição em que, eventual e provisoriamente, nos encontremos, nem sempre possamos avaliar a importância de um evento. Não é diferente com a morte. O ser humano só poderá aquilatar sua significação quando estiver em condições de decifrar o ainda, para a maioria, enigmático fenômeno da vida.

· Advogado e jornalista. Diretor do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.

(Artigo publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, em 1º.11.2011)

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Sobre Fábio Duarte

@FabioDuarte_BH
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Uma resposta para A MORTE ANTE O ENIGMA DA VIDA

  1. De acordo. Quando o ser humano começar a pensar e agir dessa forma, irá perceber que a Vida que nos foi concedida como transitória, nada mas é que uma passagem rápida para nosso aprimoramento utilizando o melhor dom que nos foi legado ; o livre arbítrio.

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