Bancárias são demitidas por entregarem dinheiro a ladrão.

Justa causa.Itaú considerou “mau procedimento” o fato de funcionárias abrirem cofre para bandidos armados.

Ex-funcionárias exigem volta ao trabalho e ainda querem indenização

A carreira profissional de duas bancárias com quase duas décadas de serviços prestados ao Itaú Unibanco foi dada como encerrada pela direção da instituição depois que ambas, rendidas por ladrões e com parentes sob domínio de criminosos armados, foram obrigadas a entregar o dinheiro guardado no cofre de uma agência de Contagem, na região metropolitana.

Demitidas por justa causa, as duas decidiram entrar com ação na Justiça. A agora ex-gerente do banco Maria Silva, 44, e a colega Rita Ferreira, 43, que atuava como tesoureira da agência, querem a reintegração ao trabalho e exigem indenização por danos morais. O valor da causa ainda não foi definido.

“Não ia deixar minha família morrer por causa de dinheiro”, disse a ex-gerente. No comunicado da demissão, feito por carta, o fato de as bancárias entregarem o dinheiro do banco aos criminosos armados foi classificado como “mau procedimento”.

No dia do crime, em 2 de dezembro do ano passado, Maria Silva foi obrigada a entregar o marido e os dois filhos, de 12 e 16 anos, às mãos de criminosos armados enquanto era levada pelos ladrões. Na agência, encontrou a tesoureira. Sob o domínio de armas, elas entregaram R$ 800 mil.

A notícia da demissão, contou a ex-gerente, veio em janeiro, dez dias depois de ela voltar ao trabalho após um afastamento motivado pelo trauma. A tesoureira soube da demissão ainda no período de afastamento. “O banco foi injusto. Me demitiu por justa causa, dizendo que agi mal. Ajudei a abrir o cofre porque a família da Maria corria risco”.

Ontem, no dia em que o Itaú foi eleito a instituição com o maior lucro da história do país – foram R$ 14 bilhões em 2011 -, a empresa se recusou a falar sobre o assunto. Nos quatro pedidos de entrevista, confirmou a demissão, mas avisou que não comentaria o caso.

Atitude de vítimas evitou uma tragédia, diz delegado

O delegado Islande Batista, que lidera a Divisão Especializada de Operação Especiais (Deoesp), comentou o assunto. Segundo ele, as duas funcionárias agiram corretamente ao não reagir ao assalto. “Com a família dela sob a mira de revólver, o correto é não reagir e entregar o dinheiro”, garantiu.

Segundo ele, com a atitude, as duas evitaram uma tragédia. “Cabe à polícia reprimir os criminosos”, disse.

Segundo o delegado, no boletim de ocorrência do crime, consta que a família da ex-gerente foi levada para um cativeiro em Betim, na região metropolitana, onde passou a madrugada sob domínio dos bandidos, enquanto a bancária era mantida, sozinha, em casa com um outro ladrão armado. Até hoje, ninguém foi preso. (NO)

Saiba mais

Apoio. O sindicato dos bancários fez um protesto, ontem, em frente à agência do Itaú em Contagem. A categoria cobra mais segurança para os funcionários de banco. 

Bando. No ano passado, a Polícia Civil prendeu seis quadrilhas que praticavam esse tipo de crime.

MINI ENTREVISTA COM
Maria Silva
“O banco queria que eu deixasse minha família morrer”

O que o banco alegou quando demitiu a senhora?
A empresa nos demitiu, alegando que não deveríamos ter entregado o dinheiro aos ladrões. A minha família estava refém de criminosos e o banco preferia preservar o dinheiro. Como a Rita me ajudou a abrir o cofre, ela também foi demitida.

Há quanto tempo a senhora trabalhava no banco Itaú?
Trabalhei em várias agências do Itaú durante 18 anos e faltavam apenas quatro para que eu me aposentasse. Ainda tenho esperança de voltar. Pretendia aposentar lá como gerente.

A senhora tinha outra fonte de renda, além do trabalho como gerente?
O emprego como gerente era minha única fonte de renda. Meu marido trabalha, mas somente a renda dele é pouco pelos nossos gastos. Nosso plano de saúde foi cortado e estamos precisando de atendimento psicológico.

O que mudou na vida da senhora após o assalto e a demissão?
Nós tivemos que mudar de casa. Eu não tinha mais condições de morar no mesmo lugar e, agora, estamos pagando aluguel. Os gastos aumentaram e meu marido e meus filhos também estão muito abalados. Nós precisamos de um acompanhamento psicológico. Durante o sequestro, os bandidos falavam o tempo todo de intimidades da minha família. Isso ainda me deixa muito preocupada.

O banco amparou a senhora e a sua família psicologicamente em algum momento?
Nunca. Eu pedi ajuda, mas eles disseram que não cabia ao banco o auxílio. (NO)

Fonte: Jornal O Tempo 08/02/2012

Como medir o que nos é conveniente? Você mudaria de banco por saber uma notícia como esta?

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Sobre Fábio Duarte

@FabioDuarte_BH
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5 respostas para Bancárias são demitidas por entregarem dinheiro a ladrão.

  1. Carlos Campos de veiga disse:

    As instituições financeiras só pensam em lucrar, não pensam no bem estar dos funcionários e nem no bem estar dos clientes que são tratados como nimguem nas agências, de deixando poucos caixas no atendimento a clientes, pagam um salário de fome, tendo em vista que seus lucros são exorbitantes e ditam as regras no mercado financeiro.

  2. moderadoreed disse:

    Carlos,

    O que você escreve até parece um clichê, mas é a pura verdade, eles até gastam uma pequena fortuna tentando provar que são instituições humanas, mas quando verdadeiramente é necessário uma intervenção de solidariedade e companheirismo, agem de maneira a disseminar o medo entre seus colaboradores. Seria como vamos dar uma lição para que os demais relutem em salvaguardar suas famílias.

    Por isto a disseminação de mensagens como está se tornam quase que uma missão para nós cidadãos comuns, para demonstrar nossa insatisfação com o fato ocorrido.

    Abraços

  3. Tarcísio Chaves de Moura disse:

    Caso o assalto tenha abalado psicologicamente as ex-funcionárias a ponto de elas terem tido reduzida a sua capacidade de trabalho também cabe pleitearem a indenização prevista no artigo 950 do Código Civil. A vitória de ambas na Justiça do Trabalho é certa, pois não há justa causa para a demissão, e certa será também a indenização por danos morais em favor de ambas, mas, independente disto, a família que ficou refém também pode exigir do Banco Itaú na Justiça Comum indenização por danos morais e exigir que o tratamento psicológico delas seja custeado pelo Banco, pois foi em razão da atividade da gerente que eles foram submetidos ao risco de serem mortos. Espero que não deixem barato, pois como disse o primeiro comentário, os lucros dos bancos se contam na casa dos bilhões, os funcionários e seus familiares para eles são descartáveis, o que lhes vale é o lucro.

  4. Stella Maris Pikzaniy disse:

    O Banco Itau só visa lucros, tratam seus funcionários como animais, então os pobres coitados dos gerentes operacionais , nem se fala, são apenas números para o banco. Cabem a nós, clientes desta máfia chamada Itaú, tirarmos nossas contas, deixar de movimentar num banco que se não liga para a vida de seus funcionários imaginem nossa, pobres clientes.

  5. Fábio Duarte disse:

    Stella,

    A omissão leva a conivência com ações arbitrárias, sua proposta é justa e muito inteligente, uma vez que se fazem propaganda para promover ações sociais, deveriam dar o exemplo por dentro.

    Manifestar nosso repúdio com clareza e firmeza muda o Mundo.

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