Escola pública da Grande SP obriga alunos a rezar antes da aula

Ao terminar de postar o artigo anterior recebo um email do grupo de estudos do CEPA – Confederação Espírita Panamericana sobre assunto similar ao escrito, e ao buscar a no site da Folha de São Paulo o link do artigo encontro outro. Isto vem mostrar apenas que muita coisa precisa ser mudada.

Escola pública da Grande SP obriga alunos a rezar antes da aula

Os alunos da escola estadual Gertrudes Eder, em Itapecerica da Serra (Grande SP) são obrigados a rezar o pai-nosso todos os dias antes de entrar nas salas.

A informação é de reportagem de Ricardo Gallo publicada na edição desta sexta-feira daFolha. A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Obrigar alguém a rezar em escola pública é inconstitucional. Funcionários da instituição dizem não haver obrigação: é possível ficar em silêncio na hora do pai-nosso. Mas o fato é que todos os alunos têm que ouvir a oração.

Ontem (5), procurada pela Folha, a Secretaria da Educação proibiu a prática do pai-nosso e decidiu afastar a diretora “preventivamente” para apurar o fato.

Segundo artigo:

Estado tem de impedir religião em sala de aula, diz editorial da Folha

Ouça o áudio: Aluno sofrendo intolerância dentro da sala de aula

Editorial da Folha de S.Paulo

Estado deve impedir práticas confessionais em sala de aula na rede pública, não para reprimir a fé, mas para garantir liberdade religiosa 
ensino religioso Há quase cem anos, um adolescente mineiro foi expulso do colégio de jesuítas onde estudava. Seu nome: Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).
O motivo da expulsão também ganhou notoriedade: a “insubordinação mental” de que o acusavam tornou-se, com o passar dos anos, uma das muitas distinções da biografia do poeta.

Também mineiro, e com a mesma idade (17 anos) que tinha o escritor naquele episódio, o estudante Ciel Vieira “insubordinou-se”, por assim dizer, diante de uma professora de geografia do seu colégio, na cidade de Miraí, a 355 km de Belo Horizonte.

A professora tinha por hábito iniciar as aulas rezando o Padre Nosso. Ateu, o estudante não acompanhou a classe na oração. A professora reagiu, dizendo ao jovem que ele não tinha Deus no coração e nunca seria nada na vida.

O caso ganhou repercussão, dando respaldo à atitude do estudante -que, com razão, não vê motivo para ser obrigado a rezar numa escola da rede pública.

Seria mais confortável, é claro, fingir uma adesão superficial ao rito. A atitude de independência do estudante se inscreve, todavia, num clima ideológico e cultural que se diferencia dos padrões de indiferença e acomodação típicos do Brasil de algumas décadas atrás.

Dos protestos contra a presença de crucifixos em repartições públicas ao questionamento judicial, por parte da União, dos critérios que devem reger o ensino religioso nas escolas, avolumam-se iniciativas para afirmar com mais nitidez o princípio da laicidade do Estado.

Ao mesmo tempo, vê-se em toda parte uma tendência, se não para o fundamentalismo religioso, pelo menos no rumo de um proselitismo militante. É uma manifestação legítima, desde que não resvale para a imposição ao público de valores e práticas cuja adoção constitui matéria de foro íntimo.

Denominações cristãs diversas fazem valer seu poder como mecanismos eleitorais. Bancadas parlamentares religiosas se organizaram em todos os níveis da Federação. A TV aberta promove intensamente este ou aquele credo.

Por demagogia ou convicção, surgem mesmo casos em que políticos quebram explicitamente o princípio da neutralidade do Estado em questões religiosas. Foi o que aconteceu em Ilhéus, onde vereadores e prefeito tornaram obrigatória a oração do Pai Nosso nas escolas municipais.

Casos assim podem parecer localizados e desimportantes. Todavia, a ideia de que o Estado não deve se imiscuir nas questões de fé tem uma relevância cada vez maior.

Não se trata de uma questão de militância ateísta -o que está em jogo é a liberdade de todas as religiões, indistintamente, para conviverem de forma pacífica, sem favor nem perseguição do poder público.

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/04/estado-tem-impedir-religiao-em-sala-de.html#ixzz1rHCT6kUp

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Sobre Fábio Duarte

@FabioDuarte_BH
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2 respostas para Escola pública da Grande SP obriga alunos a rezar antes da aula

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