Intolerância Religiosa dentro das escolas e na vida…

Estava lendo uma matéria a respeito de uma professora no interior do estado de Minas Gerais (Intolerância Religiosa) sobre uma professora que critica abertamente um aluno que rejeita o rotulo da religião e se nega a fazer a oração diária dentro da sala de aula, eu me lembrei de minha adolescencia que eu fazia o mesmo, os meus motivos eram outros, era não entrar na Igreja e poder ficar “vadiando” pela escola, na época eu pensava ser uma bobagem a escola instruir pessoas acerca de algo que era bem íntimo e feria a liberdade de alguns, os evangélicos na época e no interior eram vistos com ressalvas, havia um distanciamento, irônicamente eu hoje sou Espírita que ainda é visto assim, mesmo morando na capital.

 De certa forma eu pensava certo mas com más intenções, hoje eu faria exatamente a mesma coisa, só que com consciência, talvez eu até iria à Igreja porque passei a absorver as boas palavras, mas se sentisse que algo estivesse sendo imposto provavelmente farei como o aluno Ciel Vieira. Penso que o Ensino Religioso nas escolas é algo despropositado, uma aula de civismo ou trabalhos morais universais seria mais útil e cabível nos dias atuais com a diversidade em que vivemos. Mas é importante alertar sobre o fato acima, uma vez que a opção em não ter religião é vista com maus olhos, fruto de uma ignorância cultural e nos mostra o quão precisamos evoluir em respeito ao próximo, porque frases de “Eu não tenho preconceito mas quero longe de mim” são bem comuns e disseminadas de pais para seus filhos. Quando iremos respeitar nossos iguais, e entender que as posturas devem sim ser aceitas até para que a religião faça sentido, afinal os ditos “cristãos” descumprem regras básicas dos ensinos do Mestre Jesus, como querer impor nossas crenças aos outros? Como querer que nossa Religião seja aceita pela imposição, humilhação. Ao menos coerência precisamos ter, faça-me o favor, como pode ser tão difícil ver que “pecamos” nisto?

Santo Antonio do Miraí é a típica cidade interiorana e conservadora, mas exemplos como este vemos em grandes centros também, e a atitude deste garoto que pode nem ser levado muito sério devido a sua idade, mas que ao ser divulgada em Jornal de grande circulação fará com que muitos responsáveis por nosso sistema de ensino repense as posturas de gerenciamento e de como lidar com as diferenças.

Uma pessoa próxima a mim, foi inserida em uma escola de uma determinada missão religiosa, e ao se declarar Espírita era constantemente instruída a renegar sua opção e exposta diante aos demais colegas como uma intrusa. Alertamos a escola que poderíamos tomar medidas que trariam um certo constrangimento a eles, se insistissem nesta postura, mas pouco resultado trouxe uma vez que a cegueira religiosa os haviam atingido, e quando isto acontece a disseminação do ódio e intolerância é tido como natural, então optamos em troca-lá de escola – “deixe que os mortos enterrem seus mortos”, e nós seguiremos nosso caminho, até porque todo castelo de cartas acaba desabando, e segundo informações é o que está ocorrendo por desvio de dinheiro que era destinado a missão, mas os “cristãos” se apropriavam em nome da fé.

A Doutrina Espírita é vista por muitos de maneira distorcida, muitos até abaixam o tom de voz para falar a palavra Espiritismo, como se estivessem ofendendo a alguém, quando vejo esta postura em pessoas próximas a mim, me irrita, porque não respeitam o ser, ofendem sem perceber. Nos margeia como seres inferiores, com o passar dos anos tenho aprendido a lidar com isto, e hoje eu sei que incomodo muita gente com minha postura de não me calar ou esconder o que sou, e em que acredito, como todos deixam o lado espiritual em segundo plano, e já tem em mente que ter um título que o projete diante ao público, ou ir até um templo de vez em quando o conecte com deus, fica fácil achincalhar e menosprezar os demais.

Allan Kardec sempre lúcido disserta sobre isto na obra “O Que é o Espiritismo” em vários momentos como este por exemplo:

Visitante – É precisamente para evitar esse escolho que vim vos pedir permissão para assistir a algumas experiências.

A.K. – E pensais que isso vos bastaria para falar do Espiritismo ex-professo? Mas como poderíeis compreender essas experiências, e com mais forte razão julgá-las, se não haveis estudado os princípios que lhes servem de base? Como poderíeis apreciar o resultado, satisfatório ou não, de experiências metalúrgicas, por exemplo, se não conheceis a fundo a metalurgia? Permiti-me dizer-vos, senhor, que vosso projeto é absolutamente como se, não sabendo nem matemática, nem astronomia, fosseis dizer a um desses senhores do Observatório: Senhor, eu quero escrever um livro sobre astronomia, e além disso provar que vosso sistema é falso; mas como disso eu não sei nem a primeira palavra, deixai-me olhar uma ou duas vezes através de vossas lunetas. Isso me bastará para conhecê-la tanto quanto vós.

Não é senão por extensão que a palavra criticar é sinônimo de censurar. Em seu significado próprio, e segundo sua etmologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, pois, ser aproveitada ou desaproveitada. Fazer crítica de um livro não é necessariamente condená-lo. Aquele que empreende essa tarefa deve fazê-la sem idéias preconcebidas. Mas, se antes de abrir o livro já o condenou em seu pensamento, seu exame não pode ser imparcial.

Tal é o caso da maioria daqueles que têm falado do Espiritismo. Apenas sobre o nome formaram uma opinião e fizeram como um juiz que pronunciou uma sentença sem se dar ao trabalho de examinar o processo. Disso resultou que seu julgamento ficou sem razão e, ao invés de persuadir, provocou riso. Quanto àqueles que estudaram seriamente a questão, a maioria mudou de opinião e mais de um adversário dela tornou-se partidário, quando viu que se tratava de coisa diversa daquela em que ele acreditava.

Falar mal de algo que não conhecem é a demonstração clara do desdém a que tem pela crença alheia, sendo assim não merecem ser meus amigos verdadeiros, e não estou sendo radical em minha postura em me manter afastados de pessoas assim, ao contrário, estou sendo coerente e mantendo a reciprocidade na relação. Se magoo alguém por manter-me assim, é porque o outro não se interessa em se colocar no meu lugar. Eu o compreendo porque um dia já fui assim, e caso queira estar ao meu lado verdadeiramente aceite-me como sou. 

Espírita

E alerta aos Espíritas, isto vale para nós também uma vez que estamos começando a ignorar outras correntes espiritualistas, repensem suas posturas.

Espíritas Amai-vos, este o primeiro ENSINAMENTO, Instrui-vos, este o segundo ENSINAMENTO.

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Sobre Fábio Duarte

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4 respostas para Intolerância Religiosa dentro das escolas e na vida…

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  2. André Luíz disse:

    Eu sou completamente a favor do ensino religioso na escola, mas desde que seja trabalhado todas as religiões, embora seja um trabalho muito extenso para trabalhar na educação brasileira, pelo menos ensinava para os alunos as religiões existentes no Brasil, ou seja, como surgiu no Brasil, e a idéia principal delas. Eu sou ESPÍRITA com muito orgulho, sou Umbandista, trabalho com uma religião afro mas adoro ler livros de outras religiões, e minha religião nunca me proibiu de conhecer novas religiões, por isso nunca tive preconceito. Por favor quem escreveu essa Tese entre em contato no meu e-mail, pois podemos trocarmos conhecimento e isso sera bastante interessante. Pois se todos nos reunimos, assim conseguimos acabar com essa intolerância religiosa. Desde ja agradeço!!

  3. André Luíz disse:

    meu e-mail é andre_luiz.monteiro@yahoo.com
    obrigado

  4. moderadoreed disse:

    Caro André,

    Escrevemos este artigo e seremos muito gratos com sua contribuição.

    fabio.duarte@outlook.com

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