Tendo fé sou mais forte!

«A fé constitui um capital doméstico e privado comparável ao que no plano público são as Caixas Econômicas e as Mutualidades às quais se recorre nos dias de aflição para satisfazer as necessidades.»

 J. W. Goethe

        FÉ, uma pequena palavra que move multidões em prol de um ideal, como sinônimo de fé temos:

Apoio, Confiança, Convicção, Crença, Crédito, Socorro, etc..

Goethe afirma que é apenas uma ilusão, um subterfúgio. E os cientistas de hoje usam inúmeros argumentos para comprovar tal tese, vejamos por  exemplo o santuário de Lourdes na França que recebe milhões de pessoas anualmente a várias décadas, no entanto apenas 67 milagres foram aceitos pela Igreja Católica, um número pífio se comparado as milhares de pessoas que ali vão diariamente. Sim é um fato, e nos faz pensar o porquê de tanta credulidade em algo imaterial. A fé das pessoas criou séculos a fio uma vasta cadeia de exploração das mentes humanas percebendo logicamente este desejo ardente em crer em algo que nos conduza a um fim glorioso depois de tanto sofrimento e labuta. A religião que cativa  bilhões de pessoas ao redor do globo, cada uma assumindo o papel de redentora dos povos, e seus líderes envoltos a uma soberba inatingível desempenham o papel de deuses na terra ditando suas ordens que devem ser seguidas a fim de alcançarem a salvação “imposta” por deus, um deus exclusivista e egoísta. Só esqueceram  de avisar a estes guardiães da salvação eterna que os povos estão amadurecendo e descortinando para uma nova realidade que vai além dos dogmas seculares e arcaicos. Seus métodos ainda insistem em nos colocar na idade da pedra, como se fossemos bárbaros sem instrução tentando nos fazer engolir e aceitar intolerâncias e absurdos  que caem por terra se uma criança de 4 anos começar a interrogá-los.

O perfil de seus fieis tem mudado, e muito, hoje vemos pessoas que reduziram os laços de obediência dogmática, negando verdades imutáveis, mas mesmo assim seguindo certos ritos ainda praticados. Criando um conflito crença-descrença os laços de obediência dogmática, negando verdades imutáveis, mas mesmo assim seguindo certos ritos ainda praticados. Criando um conflito crença-descrença, que terá como fim o afastamento da religião como conhecemos hoje, uma debandada que já ocorre aos milhões, mas mantendo a fé no Deus Pai Criador, ou Força Universal, ou mesmo em algo que “está acima de nós”, os adjetivos são muitos para explicar a mesma coisa: Deus.

Mas o que todos buscam realmente? Seria por exemplo…… a felicidade? – Acredito que mesmo que busquemos outro objetivo, o fim poderia ser resumido a momentos de felicidades por termos conquistado nossas metas.

O Livro dos Espíritos – 920). O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa?

– Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz quanto se pode ser na Terra.

Sim nós buscamos mesmo abrandar nossos males, fazemos isto a todo instante, e esta busca é íntima, uns buscam sexo para ter momentos de prazer, outros buscam no trabalho as realizações profissionais, outros auxiliando em diversas outras tarefas que nos tragam conforto, bem estar e uma aparente segurança futura. E claro tem muitos outros que se alegram fazendo atos delituosos que os traga uma estranha felicidade, porém para eles é prazeroso, dentro disto podemos enquadrar diversas transgressões penais e ou morais, confrontando assim a sociedade em que está inserido.

A fé na busca da felicidade que nos torna imortal, que nos faz perpetuar tem suas interpretações difusas e correlacionadas no intimo  de cada ser, e a dificuldade  de entendimento acaba criando as religiões, e suas formas de conduzir o outro, rumo a felicidade, mesmo os que não crêem buscam a felicidade através da fé, em suas crenças pessoais.

Nós que buscamos um conforto, uma felicidade da consciência atormentada por nossos atos, não sei se são certas ou erradas, mas que nos causam dúvidas quanto a sua aceitação por nosso Juiz no tão aguardado julgamento de nossos erros e acertos, para sabermos se vamos ao Inferno de Dante ou ao Paraíso que os homens anseiam. A crença no pós morte, não define o que seremos durante a vida, isto apenas nos coloca em certos momentos freios e nos fazem pensar no próximo em alguns momentos, mas somos egoístas na maior parte do tempo, o que vai de encontro com todas as cartilhas éticas que nos são colocadas. Mas dentre nós sempre tem alguns exemplos de pessoas que dedicam-se a auxiliar os que estão a sua volta de várias maneiras, porque também não somos assim? Os motivos são diversos, cabe a cada um se interrogar e descobrir quais são seus objetivos e anseios futuros. Se crer na vida única que faça esta valer a pena para ganhar o paraíso eterno, siga os ensinos de Jesus Cristo, uma vez que o ocidente tem como sua grande maioria de cristãos.

Aos que crêem na continuidade da vida através da reencarnação do Espírito, que sejamos prudentes em nossos atos e ações, tenhamos fé em nossa vida futura. E se alguém tiver a fórmula mágica de como não buscarmos conflitos internos o tempo todo me passe  vou adorar colocá-la em prática.

Sentir-se capaz de agir, sem esperar indefinidamente um milagre, mas também acreditar que é um ser criado à semelhança de Deus, e que por isso também nele há perfeição, tentando cada vez mais melhorar essa perfeição o mais possível, já que Deus nos criou com a capacidade de desenvolvimento pessoal, desenvolvimento esse que só acontece com o nosso empenho.¹

O homem bem compenetrado do seu destino futuro não vê na existência corpórea mais do que uma rápida passagem. É como uma parada momentânea numa hospedaria precária. Ele se consola facilmente de alguns aborrecimentos passageiros, numa viagem que deve conduzi-la a uma situação tanto melhor quanto mais atenciosamente tenha feito os seus preparativos para ela. Somos punidos nesta vida pelas infrações que cometemos às leis da existência corpórea, pelos próprios males decorrentes dessas infrações e pelos nossos próprios excessos. Se remontarmos pouco a pouco à origem do que chamamos infelicidades terrenas, veremos a estas, na sua maioria, como a conseqüência de um primeiro desvio do caminho certo. Em virtude desse desvio inicial entramos num mau caminho, e, de conseqüência em conseqüência, caímos afinal na desgraça.²

No final das contas eu não discordo de Goethe, porque muitos assim o fazem, mas ele direcionou sua frase a um pequeno grupo que ainda almeja que seus problemas sejam resolvidos por outros, nós que buscamos algo mais além da fé cega, que praticamos a fé raciocinada não enquadramos em seu pensamento, pois não queremos escada, sabemos que podemos escalar os degraus da evolução com nosso esforço, mas não esqueçamos que Deus está conosco em cada passo, nos inspirando e nos guiando pelo vale das sombras,vale este que é geralmente é criado por nós, se não nesta encarnação em outras, através de atos que ainda hoje perseguimos, os escândalos que podem nos ocorrer  se quisermos poderemos evitar. Conviver com a dor física causada por males externos também, somos nós que escolhemos como vivenciar isto, com revolta ou com resignação dos confiantes em sua fé futura.

 

 

 

 

 

¹ – Ludwig Feuerbach: Do Homem para Deus ao Homem-Deus. A Fé e o Milagre – Vanessa Martins
²  – O Livro dos Espíritos, questão 921.

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Sobre Fábio Duarte

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