Se temos a Bíblia pra que Espiritismo?

Os Espíritos, perguntam algumas pessoas, nos ensinam uma nova moral, qualquer coisa de superior ao que o Cristo ensinou? Se essa moral não é outra senão a do Evangelho, que vem fazer o Espiritismo?

Esse raciocínio se parece singularmente àquele do califa Ornar falando da Biblioteca de Alexandria: “Se ela não contém – dizia ele – mais do que aquilo que existe no Alcorão, é inútil e portanto deve ser queimada; se encerra outra coisa é má e tanto mais deve ser queimada”. Não, o Espiritismo não encerra uma moral diferente daquela de Jesus, mas perguntaremos, por nossa vez, se antes de Cristo os homens não dispunham da lei de Deus revelada a Moisés. Sua doutrina não se encontra no decálogo? E por isso se dirá que a moral de Jesus foi inútil? Perguntaremos ainda, aos que negam a utilidade da moral espírita, porque a do Cristo é tão pouco praticada e porque até mesmo aqueles que proclamam a sua sublimidade são os primeiros a violar a primeira de suas leis: a caridade universal. Os Espíritos vêm, não somente confirmá-las, mas também mostrar-nos a sua utilidade prática; eles tornam inteligíveis e patentes as verdades que só haviam sido ensinadas sob a forma alegórica, e ao lado da moral vêm definir-nos os mais abstratos problemas da Psicologia.¹

Nos são apresentadas inúmeras maneiras de sermos elevados após a morte, a Bíblia reina quase que soberana no lado esquerdo do Meridiano de Greenwich, trazendo sempre uma mística que Deus “em pessoa” inspirou os homens a escrevê-la, que suas mensagens são carregadas de profecias e alertas sobre várias ocorrências que aconteceram e tantas outras que ainda há de vir. Mas sejamos práticos, crer que deus foi capaz de “ditar” um livro com tantas lacunas, fantasias, particularidades que são passíveis de reclusão carcerária nos dias atuais é pegar pesado com nossa inteligência. A poucos dias escutando a pregação de padre católico explicando sobre as diferenças do Catolicismo e Espiritismo, tocou no ponto bíblico dizendo que Allan Kardec apenas retira da Bíblia seus argumentos morais, mais apropriados e condizentes com a Doutrina traga por ele, o que é fato. Kardec nada mais fez do que buscar o que poderia lhe servir para em conjunto com os Espíritos construir um método filosófico pinçando exemplos práticos desta obra tão conhecida. Oras, é um livro de domínio público, que tem como propósito salvaguardar a própria humanidade, sendo assim tantos fazem uso dela para se orientar e definir como seguir suas vidas.

Os Espíritos conjuntamente com Allan Kardec, produziram uma obra bem ampla e direcionada. Inclusive reiterando seu desejo em acompanhar o tempo, se atualizar. O mundo até o século XVI andava a passos lentos, a partir de então o avanço vem ocorrendo com grande rapidez, o pensamento humano que já contava com grandes nomes, vai engrossando cada vez mais o coro de pessoas que contestam com grande habilidade as “Escrituras Sagradas”, com o advento da Doutrina Espírita que não trás nada novo e sim conceitos que foram mistificados por séculos e séculos, explicados agora a luz da razão, não permitindo que fiquemos mais na escuridão do pensamento em se tratando de questões espirituais. Não vamos com isto acreditar que somos superiores em conhecimento, mas temos uma forma diferenciada de enxergarmos o mesmo assunto.

Um pequeno diálogo de Allan Kardec com um Padre:

Padre. — A religião ensina tudo isso; até agora foi suficiente; qual é hoje a necessidade de uma nova doutrina?

A. K. — Se a religião ensina o bastante, por que há tantos incrédulos, religiosamente falando?

Ela prega, é verdade; ela nos manda crer, mas há muita gente que não crê por simples afirmação. O Espiritismo prova e faz ver o que a religião ensina em teoria. Além disso, donde vêm essas provas? Da manifestação dos Espíritos. Ora, é provável que os Espíritos só se manifestem com o consentimento de Deus; se, pois, Deus em sua misericórdia envia aos homens esse socorro para afastá-los da incredulidade, é uma impiedade repeli-lo.

O Que é o Espiritismo – Allan Kardec

Outra citação interessante está em O Livro dos Espíritos – LAKE questão 59:

“Devemos concluir, então, que a Bíblia é um erro? Não; mas que os homens se enganaram na sua interpretação.”

Observação de Herculano Pires:

Advertência aos que condenam a Bíblia sem levar em conta os fatores históricos e a linguagem figurada do texto.

Não queremos queimar a Bíblia, apenas mostrar que ela não é a palavra de Deus, mas ele “contribuiu” com ela, não sejamos literais ao lê-la.

¹ – O Livro dos Espíritos Conclusão Cp VIII

Recomendamos a leitura da obra de José Herculano Pires:

Visão Espírita da Bíblia – J.H.Pires

 

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Sobre Fábio Duarte

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