Um Espírita a serviço do povo

Este é o slogan de um candidato a vereador aqui em Belo Horizonte, particularmente fiquei surpreso por tamanha exposição, uma vez que na campanha anterior um candidato Espírita foi hostilizado com campanhas difamatórias gratuitas, apenas por ter se declarado Espírita.

 

No caso deste senhor além de afirmar suas convicções filosóficas ou religiosas, não sei bem, nós logo pensamos que sua intenção seria aproveitar o “modismo espírita”. Penso assim me baseando em Kardec que repudia exposições no intuito em se promover, até porque ser Espírita não o avaliza em absolutamente nada, não o torna um ser diferente dos demais, até porque temos outro vereador belorizontino que lendo sua biografia, e segundo relato dos filhos, todos são Espíritas e sem há exposição do senhor citado acima, ao contrário ele trabalha silenciosamente dando exemplo abrindo mão do salário de vereador que é doado integralmente a instituições filantrópicas e outras ações que poucos sabem mas visam o bem comum.  Evidente que isto não o torna melhor ou pior que o outro candidato apenas diferente na abordagem.

Como posso me dar ao luxo em expor minha opinião, afirmo que sou radicalmente contra misturar “religião” com político, posso dizer que este senhor não terá meu voto devido a sua atitude precipitada em fazer como tantos pastores, padres e demais “pseudo-teólogos” aproveitando da condição de conselheiros espirituais, e acaba puxando e muito a sardinha para fazer com que o Estado abra concessão aos seus interesses. Esta mistura se torna injusta e direcionada a algo abstrato, ao passo que se um candidato que defende interesses de uma localidade por exemplo buscará recursos para todos independente de suas convicções religiosas e ou partidárias, e o que vemos na pratica são pastores lutando arduamente em prol de suas ovelhas votantes, passando por cima de interesses do coletivo para privilegiar alguns que lhe serão gratos e perpetuando sua campanha em futuras candidaturas.

Seus defensores poderiam afirmar que ele usa este Slogan afim de se destacar na multidão, afinal para ganhar votos é necessário se posicionar, é algo comum no meio político, só que segundo Kardec em O Livro dos Espíritos – LAKE:

 863. Os costumes sociais não obrigam muitas vezes o homem a seguir um caminho errado? E não está ele submetido à influência das opiniões na escolha de suas ocupações? Isso a que chamamos respeito humano não é um obstáculo ao exercício do livre arbítrio?

 – São os homens que fazem os costumes sociais e não Deus; se a eles se submetem, é que lhes convém. Isso também é um ato de livre arbítrio, pois se quisessem poderiam rejeitá-los. Então, por que se lamentam? Não são os costumes sociais que eles devem acusar, mas o seu tolo amor-próprio, que os leva a preferir morrer de fome a infringilos. Ninguém lhes toma conta desse sacrifício à opinião geral, enquanto Deus lhes pedirá conta do sacrifício feito à própria vaidade. Isso não quer dizer que se deva afrontar a opinião sem necessidade, como certas pessoas que têm mais de originalidade do que de verdadeira filosofia. Tanto é desarrazoado exibir-se como um animal curioso, quanto é sensato descer voluntariamente e sem reclamações, se não se pode permanecer no alto da escala.

 Mesmo que estejamos cheios de “boas intenções” começar contrariando nossos próprios princípios talvez não seja o melhor caminho, evidente que ainda incorremos em equívocos grotescos por falta de entendimento adequado de nossa condição espiritual, isto é comum e natural, então é mais um motivo para não associarmos Espiritismo com Política.

Como já disse todo este texto baseia-se em minhas opiniões pessoais pautadas de meu entendimento do Espiritismo acerca do tema, uma vez que considero desnecessário tal chamariz para angariar votos, assim como a ampla divulgação Espírita indiscriminada por seus próprios órgãos não tem minha aceitação, uma vez que o Espiritismo em sua essência é deixado de lado para agradar a uma população carente de uma religião, uma vez que não conseguem mais enxergar na Igreja Católica um caminho seguro para seus anseios, e carrega dentro de si um preconceito para aceitar outras tendências que são oferecidas por aí como o “Caminho verdadeiro de deus”. A educação continuada deveria ser o foco principal de disseminação do Espiritismo, pois para compreendê-lo é necessário se entregar a leitura de suas obras, mas digo as obras kardecianas em um primeiro momento e não a romances e mais romances que são de fácil leitura e na verdade pouco agrega de conhecimento Espírita.

“Cabe à educação combater as más tendências, e ela o fará de maneira eficiente quando se basear no estudo aprofundado na natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem esta natureza moral chegar-se-á a modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução e a desídia pela higiene.” – O Livro dos Espíritos

A Educação Espírita não proíbe ninguém de se envolver com política, precisamos nos socializar e buscar o melhor caminho para auxiliar nosso próximo, mas sejamos coerentes com a proposta Espírita caso queiramos envolvê-la em nossas ambições pessoais.

Ponderar e definir nossas diretrizes nunca é fácil e os Espíritos reconhecem bem isto:

874. Se a justiça é uma lei natural, como se explica que os homens a entendam de maneiras tão diferentes, que um considere justo o que a outro parece injusto?

 

– É que em geral se misturam paixões ao julgamento, alterando esse sentimento, como acontece com a maioria dos outros sentimentos naturais e fazendo ver as coisas sob um falso ponto de vista.

 

875. Como se pode definir a justiça?

 

– A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um

 

875 a. Que determina esses direitos?

 

– São determinados por duas coisas: a lei humana e a lei Natural. Tendo os homens feito leis apropriadas aos seus costumes e ao seu caráter, essas leis estabelecem direitos que podem variar com o progresso. Vede se as vossas leis de hoje, sem serem perfeitas, consagram os mesmos direitos que os da Idade Média. Esses direitos superados, que vos parecem monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. O direito dos homens, portanto, nem sempre é conforme à justiça. Só regula algumas relações sociais, enquanto na vida privada há uma infinidade de atos que são de competência exclusiva do tribunal da consciência.

Sendo assim cabe a cada um de vós leitores serem conscientes para decidirem os que irão representá-los na esfera política, mesmo os que não são Espíritas votem pensando sempre na máxima de Jesus – “Ame o seu próximo como a si mesmo” – Amando seu próximo escolha seu candidato com responsabilidade, não se omitindo com a desculpa de que todos são farinha do mesmo saco, ou com medo de perder seu voto votando em alguém que esteja na frente pelas pesquisas mas não irá representá-lo, o importante é demonstrar coerência com seu posicionamento íntimo, assim começamos a treinar a sermos um só, abolindo as mascaras e nos libertando das convenções sociais.

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Sobre Fábio Duarte

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