Prodígios dos Falsos Profetas

“Levantar-se-ão falsos Cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios e coisas de espantar, a ponto de seduzirem os próprios escolhidos.” Estas palavras dão o verdadeiro sentido do termo prodígio. Na acepção teológica, os prodígios e os milagres são fenômenos excepcionais, fora das leis da Natureza. Sendo estas, exclusivamente, obra de Deus, pode ele, sem dúvida, derrogá-las, se lhe apraz; o simples bom senso, porém, diz que não é possível haja ele dado a seres inferiores e perversos um poder igual ao seu, nem, ainda menos, o direito de desfazer o que ele tenha feito. Semelhante princípio não no pode Jesus ter consagrado. Se, portanto, de acordo com o sentido que se atribui a essas palavras, o Espírito do mal tem o poder de fazer prodígios tais que os próprios escolhidos se deixem enganar, o resultado seria que, podendo fazer o que Deus faz, os prodígios e os milagres não são privilégio exclusivo dos enviados de Deus e nada provam, pois que nada distingue os milagres dos santos dos milagres do demônio. Necessário, então, se torna procurar um sentido mais racional para aquelas palavras.

Para o vulgo ignorante, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por sobrenatural, maravilhoso e miraculoso; uma vez encontrada a causa, reconhece-se que o fenômeno, por muito extraordinário que pareça, mais não é do que aplicação de urna lei da Natureza. Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais se restringe à medida que o da Ciência se alarga. Em todos os tempos, homens houve que exploraram, em proveito de suas ambições, de seus interesses e do seu anseio de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim de alcançarem o prestígio de um pseudo poder sobre-humano, ou de Lima pretendida missão divina. São esses os falsos Cristos e falsos profetas. A difusão das luzes lhes aniquila o crédito, donde resulta que o número deles diminui à proporção que os homens se esclarecem. O fato de operar o que certas pessoas consideram prodígios não constitui, pois, sinal de uma missão divina, visto que pode resultar de conhecimento cuja aquisição está ao alcance de qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que o mais indigno não se acha inibido de possuir, tanto quanto o mais digno. O verdadeiro profeta se reconhece por mais sérios caracteres e exclusivamente morais.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 21. Item 5.

* * * Estude Kardec * * *

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A interação Mente-Matéria

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A INTERAÇÃO MENTE-MATERIA: DESCOBERTAS DA PARAPSICOLOGIA E SUAS CONSEQUÊNCIAS NA CIÊNCIA ESPÍRITA

A questão sobre Mente como entidade independente da matéria é discutida desde tempos remotos, pelos filósofos do passado na Grécia antiga, acreditando alguns na realidade dos espíritos que interagem com mundo físico. As pessoas, em geral, acreditavam na ação dos bruxos e magos com seus poderes mentais sobre as pessoas e coisas, nascendo as praticas de magia. Criara-se o Ocultismo. As pessoas acreditavam que os espíritos da natureza seriam os responsáveis pelas estações do ano, pela chuva e pelos diversos cataclismas naturais em que seria necessário, nestes casos, oferecer oferendas e variados sacrifícios a  eles, à fim de aplacar suas iras.

Na idade média, por volta do século XVII, surgiram luminares como Galileu Galilei, Isaac Newton, René Descartes que marcaram um novo rumo ao mundo: O nascimento da Ciência Experimental com a finalidade de estudar os mistérios da natureza de forma racional. Suas ideias mudaram o pensar sobre a natureza, afirmando que seria sensato pesquisar apenas aquilo que era claramente observável e testável. Descobriu-se a gravidade, como a força responsável tanto pela queda de uma fruta na árvore, como a causa dos movimentos dos astros. Surgiu a matemática prática capaz de descrever perfeitamente esses movimentos e prevê-los, com grande eficácia. Mais tarde se descobriram outras duas forças fundamentais da natureza: A Eletricidade e o Magnetismo. O Universo seria, portanto, uma máquina gigante regida por Leis fixas e imutáveis e que tudo nele seria previsto pela matemática e seus mistérios seriam pouco a pouco descoberto pelo método científico. E então temas como Mente e Espíritos foram consideradas  puro misticismo, deixando estas questões a segundo plano ou até mesmo como tema proibido pela Ciência oficial. Sedimentara o materialismo como base de toda e qualquer hipótese ou teoria científica.

Podemos dizer, resumidamente, que estas questões do espírito como forma de pesquisa cientifica, veio à tona com o advento do Espiritismo moderno, marcado principalmente pela figura de Hippolyte Leon Denizard Rivail, conhecido pelo pseudônimo  como Allan Kardec. Foi a partir daí, na metade do século VIX, que se iniciou uma nova era para humanidade: a Era do Espírito, como uma entidade verificável e testável por certos métodos científicos. Foi a partir da observação das mesas girantes, que se moviam, se elevavam sem contato com as pessoas, que  Kardec desenvolveu toda uma Ciência, que teve repercussões filosóficas e religiosas: A Ciência Espírita, que tem como base de todos os fenômenos, o espírito humano seja ele encarnado ou desencarnado. Nesta ciência, a questão da mente como espírito  independente que age e atua sobre a matéria inanimada ganhou confirmações sobre sua realidade, e foi evidenciada por diversas observações empíricas. Após a consolidação do espiritismo, no seu aspecto científico realizado por Kardec, surgiram ainda, neste período, denominado de Período Espirítico, mais pesquisadores  como Willian Crookes, cientista inglês, descobridor do elemento químico Tálio, que estudou a mediunidade de célebres e conhecidos médiuns de efeitos físicos como Daniel Home e Florence Cook, em condições estritamente controlada. O sábio convencera da realidade dos fenômenos de levitações de pesados objetos e até de pessoas, aparições luminosas, ruídos sem causa aparente, muito comuns em casas ditas “Mal Assombradas”, e das fantásticas e assombrosas materializações, em que a mente seria os agentes causadores destes efeitos sobre a matéria. Após este período surgiu, no final do século XIX,  uma  outra ciência pra estudar estas questões, iniciando uma nova era de estudos da mediunidade de efeitos físicos e mentais, estimulados pela grande repercussão dos estudos de Kardec: A Metapsíquica, criada pelo médico fisiologista francês Charles Richet, laureado pelo prêmio Nobel de Medicina no ano de 1913, pelo descobrimento da soroterapia e anafilaxia. Em sua nova ciência, ainda cético das conquistas dos pesquisadores passados, ele objetivava repetir novamente todos os testes e estudos anteriores, na busca da comprovação da independência da Mente sobre a matéria e sua influencia sobre ela. Novamente os resultados foram os mesmos das observações de Kardec e de Crookes , no entanto, o cientista permanecera cético quanto a simplicidade da hipótese espírita de Kardec, admitindo apenas a existência do poder mental nos fenômenos físicos, bem como a realidade da telepatia. Foi o médico francês que cunhou o termo ectoplasma , à fim de denominar a força mediúnica, chamada de força animalizada por Kardec, que seria responsável pelos fenômenos de efeitos físicos. Este período de estudos da paranormalidade denomina Período Metapsíquico contribuiu muito na consolidação da Ciência Espirita de Kardec, principalmente no estudo de fenômenos com a manipulação do ectoplasma;

Após este período, surgiu outra nova ciência a partir de 1930, a Parapsicologia  de Joseph Rhine,  novamente com o objetivo de reconhecer se a Mente, agora chamada PSI, seria autônoma, ou seja, independente da matéria e que seria capaz de influencia-la diretamente; e também objetivava realizar diversos experimentos para verificar a realidade da telepatia, clarividência e outras percepções extra- sensoriais.  Com o advento da Parapsicologia surgiu uma nova maneira de avaliar os fenômenos PSI, em especial a telepatia e clarividência ou simplesmente percepções extra-sensoriais (PES) e a Psicocinese (PK) que é a capacidade da Mente influir diretamente na matéria. Esta nova ciência aplicava métodos quantitativos, que serão vistos mais adiante, para todos esses fenômenos. Os resultados experimentais para a PES e PK foram notadamente positivos em milhares experimentos controlados realizados para este fim, confirmando, por sua vez, e mais uma vez, a realidade da Mente como entidade independente e capaz de influenciar outras mentes e até os matérias físicos. Este período foi o mais longo e perdura até os dias de hoje, e contem milhares de experiências corroborativas das primeiras experiências de Allan Kardec com transmissão de pensamento, apesar de existirem linhas da parapsicologia que não admitiam novamente a realidade do espírito, mas apenas as evidências para a existência dos fenômenos PSI, como a PES e a PK, ou seja, telepatia, clarividência, e a influencia da mente sobre a matéria. Portanto, apesar das evidencias indiretas da realidade espiritual, esta ciência não preocupa com esta questão. No entanto, as ciências que vieram depois de Kardec, deixaram a hipótese espirita, a mais simples hipótese na explicação de todos esses fenômenos em conjunto, em segundo plano. Isto, com certeza se deve ao fato de os cientistas ainda pensarem que a palavra “Espirito” invocava ocultismo e mito, e assim, eles poderiam ser ridicularizados pela comunidade cientifica ortodoxa, ainda altamente materialista! Mas o “materialismo” puro já estava começando a ser abalado, durante a vigência dos estudos parapsicológicos, pelo advento da Teoria da relatividade de Einstein, que postulava que a matéria seria apenas energia pura condensada e que tempo e espaço eram relativos, e também pelo nascimento da Física Quântica que provou estes conceitos, e mostrou ao mundo inteiro que a ideia  de “matéria”, como entidade sólida, estava errônea. A matéria ficou “desmaterializada” na mecânica quântica, revelando uma realidade puramente energética dos átomos e partículas subatômicas e que elas não estariam associadas e nem adstritas aos conceitos fixos de espaço e de tempo. Nesta nova ciência que surgiu, Matéria, Espaço e Tempo, tornaram-se confusos, entrelaçados, revelando uma realidade totalmente fora dos conceitos do senso comum, e por isso, muitos físicos começaram a levar a sério as questões PSI, pois nessa nova física postulou-se, com bases experimentais, a possibilidade de que o cientista, na simples observação do mundo atômico, altera o comportamento da partícula de matéria observada, assim como sua posição no espaço e no tempo. Isso intrigou e intriga muito os físicos de partículas até os dias de hoje, que ainda não encontraram explicações para os fenômenos bizarros observados no mundo atômico. Como o ato de observar uma partícula física pode mudar seu comportamento espacial e temporal? Criou-se o conceito de Não-Localidade  na física quântica, que pregava que todo material quântico, ates de ser observado, simplesmente não existe no espaço e no tempo. Eles ainda se perguntam até hoje: Será que a consciência cria a realidade? Esta pergunta não possui resposta até hoje.  Por isso, muitos físicos ousaram a deixar a ortodoxia da Ciência de lado, e começaram a acreditar na possibilidade da Mente ou PSI ser uma realidade independente do Universo físico, mas capaz de interagir de forma criativa com ele. Existem físicos na atualidade que até defendem esta ideia! Portanto, algumas linhas da Ciência Ortodoxa, até então materialista, abriu espaço para a possibilidade da Mente ser uma entidade independente e atuante no universo, ao mesmo tempo em que os estudos sobre a PSI revelavam a mesma coisa! A partir daqui, o mundo começara ver traços de unificação entre física e espírito (aqui entendido como Mente).

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Mas afinal quais são as conquistas, em termos de evidencia, que a parapsicologia possui, desde o seu início de estudos, por volta de 1930, sobre a interação Mente-Materia? Apesar desses estudos e detetecções, muitas vezes fantásticas, não convenceram muitos cientistas ortodoxos da era moderna sobre a possibilidade deste interação, bem como a existência da PSI, com suas habilidades de telepatia e clarividência; Mesmo com os resultados altamente positivos, a ciência parapsicológica continua no século XXI com suas pesquisas, com resultados muito semelhantes aos investigadores do passado, bem a saber, interações visíveis e estatísticamente significativas de que a mente pode influenciar a matéria de formas diversas. Para tanto, ao longo do século passado, na parapsicologia, foram feitas milhares de experiências controladas a fim de avaliar capacidade da mente de influenciar objetos físicos, como o resultado de lançamentos de dados e de  números aleatórios gerados por computador e também em influenciar seres vivos, como observar a alteração do sistema nervoso autônomo de uma outra pessoa testada, que seria como “alvo psicocinético” da primeira pessoa que tentaria influencia-la com sua Mente; e os resultados, na maioria desses experimentos rigidamente controlados, sugeriram uma interação genuína entre a capacidade de atenção e desejo de um sujeito em alterar as faces de um dado e a aleatoriedade de números gerados por computador programado para este fim e também o sistema nervoso de outra pessoa.  

Um dos maiores parapsicólogos da atualidade, Dean Radin, reuniu todas essas experiências passadas, depois da criação da parapsicologia , num livro, Mentes Interligadas- evidencias científicas da telepatia, clarividência e outros fenômenos psíquicos, a fim de fazer uma análise geral dessas pesquisas e ver se todas convergem, de fato, na realidade desta interação. E, como esperado, os resultados foram altamente positivos em favor da hipótese da psicocinésia (PK), ou seja, capacidade da mente de influenciar objetos físicos materiais e sistemas vivos, conforme dito acima, bem como da realidade da telepatia e clarividência.

. O objetivo deste artigo será avaliar as evidencias concretas  adquiridas no período parapsicológico (que está vigente até hoje) destas interações (mente-matéria) e comparar seus resultados com a hipótese espirita, criada pela ciência Espírita de Allan Kardec. Como fonte destas pesquisas e resultados, utilizar-se-á o livro citado acima, que é uma referência global do resumo da maioria dos experimentos de interação mente-matéria do período da parapsicologia.

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INTERAÇÃO MENTE –MATÉRIA BRUTA

Em 1989, o cientista Dean Radin e a psicóloga Diane Ferrari, na universidade de Princeton, em Nova Jersey, Estados Unidos, realizaram uma metanálise, ou seja, análise de todas essas pesquisas em conjunto para avaliar as evidencias combinadas para o efeito da psicocinésia sobre os experimentos com dados. Eles identificaram, entre o período de 1930 a 1989, 73 experimentos publicados de forma controlada e seguros.  Durante esse período de quase meio século, eles conseguiram reunir cerca de 2,5 mil pessoas tentando influenciar mentalmente mais ou menos 2,6 milhões de lançamentos de dados, além de cerca de 150 mil lançamentos em 31 estudos de controle, ou seja, em que não se pretendia aplicar qualquer influencia mental, deixando os lançamentos à pura aleatoriedade. Radin afirma:

“Ainda que o efeito geral tenha sido pequeno em termos de magnitude absoluta, não foi o simples resultado da sorte cega A possibilidade que os resultados dos estudos sobre dados fossem devidos à influencia da sorte foi calculada em 1096 contra uma (isso representa o número 10 com 96 zeros à direita). Em contraste, os resultados dos experimentos de controle se demonstraram bem dentro das expectativas da sorte. Desse modo, ficou claro que algo a mais estava acontecendo ali.”  (Radin, p. 151).

As pesquisas feitas à fim de avaliar o efeito da Mente (PSI) em números gerados aleatoriamente por computadores também são igualmente surpreendentes, evidenciando mais uma vez a interação Mente-Matéria. Segundo Radin (2008) em 1997, o engenheiro Robert Jahn e seus colaboradores do Laboratório de Pesquisas de Anomalias em Engenharia de Princeton, nos Estados Unidos, publicaram uma revisão de 12 anos de experiências investigando interações Mente-Matéria. Mais de cem voluntários tentaram influenciar mentalmente geradores de números aleatórios (RNGs). Um RNG é um computador eletrônico de “cara ou coroa”, capaz de gerar números aleatórios, bem a saber  0 e 1. Nestes testes, os sujeitos tentavam influenciar as saídas de números e fazer com que se deslocassem para cima da média esperada por força do acaso e depois para baixo da média esperada. Com essas experiências, a equipe de Jahn chegou a varias conclusões: descobriram que em todas as suas experiências, as saídas aleatórias representavam uma tendência para corresponder às direções pretendidas pelos participantes:

“Quando estes desejavam valores mais altos, o gerador de números aleatórios desviava para cima e, quando desejavam valores mais baixos, a saída do gerador desviava para baixo. Em comparação, nenhum resultado positivo foi observado quando números aleatórios simulados foram utilizados. […] ainda que estes efeitos sejam pequenos, na base dos dados completa resultou em probabilidades contra ser efeito de simples acaso da ordem de 35 trilhoes contra uma.”  (Radin, p.156).

Portanto, as evidencias sugerem fortemente que a mente influencia o lado dos dados que ficará para cima e gera distúrbios em sistemas eletrônicos influenciando a saída de dados de um computador! É interessante notar que em casos de “Poltergeinst” , em que geralmente se encontra nestes lugares pessoas com habilidades mediúnicas, investigada por vários parapsicólogos, ocorre fenômenos anômalos em sistemas elétricos e eletrônicos, como ligar e desligar de luzes e televisões, distúrbios numéricos em relógios eletrônicos, etc.  Mas como isso acontece precisamente, permanece um mistério aos cientistas. Devemos, portanto – alegam eles –   por enquanto, nos embasar nos fatos. Embora isso seja muito diferente daqueles filmes e relatos em que bruxos e magos levitam e controlam mentalmente objetos pesados, soltando raios de suas mãos, isso está de acordo com as obras de Kardec, como O Livro dos Espíritos e o Livro dos médiuns, que já reportaram a realidade da força mental ou do espírito, ou força PSI dos cientistas, sobre a matéria inanimada, por meio do fluido animalizado (ectoplasma). Esta substancia, na ciência Espírita, seria indispensável para a realização dos efeitos físicos; mas isto se dá através de médiuns especiais, os quais contem maiores quantidades desta energia exteriorizável: Os médiuns de efeitos físicos, causando fenômenos complexos como os de transporte de objetos leves e pesados, levitações e as materializações de espíritos, etc. E isto tudo se daria por conta do ectoplasma, o fluido magnético animalizado de Kardec, que atuaria como uma interface entre a mente e a matéria. Nos experimento citados, é altamente  improvável que todos sejam médiuns de efeitos físicos doando ectoplasma para a ocorrência destes resultados. Mas estes estudos combinados sugerem que a maioria de nós, ou todos, possuem um pouco desta capacidade de influir diretamente, com o poder da mente, na matéria, de forma discreta, talvez liberando ectoplasma em pequeno volume, daí os resultados pequenos dos testes, mas altamente significativos em seu conjunto!

Mas estes experimentos bem-sucedidos possuem implicações mais profundas. Na questão 27 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos espíritos da codificação: “Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?” E eles respondem: “Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal(grifo nosso). Vemos também, pelas obras da Codificação que a união do Espírito (mente) e a matéria é necessária à evolução do primeiro, pelo processo de reencarnação, que seria a interação primeira entre Mente-Matéria. Podemos concluir, portanto, que a relação Mente-Materia que os cientistas atuais estão apenas tateando, já era prevista pelo Espiritismo como uma união primeira e inevitável no processo de encarnação da Mente, à fim de que o espírito evolua a maiores graus de consciência cósmica utilizando a matéria (seu corpo) como ferramenta. Os efeitos que os cientistas estão observando seria, então, apenas o reflexo exterior de uma realidade muito mais profunda e fundamental.

INTERAÇÃO MENTE – MATÉRIA VIVA

Outro grupo de experimentos que demonstra esta realidade são sobre a interação mental direta com sistemas vivos  (DMILS) que a parapsicologia tem feita durante muitos anos, com resultados impressionantes. Estes experimentos são de muita importância teórica para a corroboração dos postulados espíritas, pois podem formar a base experimental e replicada das chamadas interações telepáticas e das obsessões em geral.  Esses experimentos são feitos da seguinte forma: coloca-se um sujeito, o receptor, em uma sala isolada de energias eletromagnéticas, com eletrodos ligados a sua pele para poder medir as mudanças na condutância elétricas de sua pele: isso com o fim de medir os efeitos emocionais, causado pelo seu sistema nervoso autônomo quando um terceiro, o receptor, estiver pensando nele. Enquanto esse receptor  se encontra nesta sala, e pede-se que ele relaxe e apenas pense no emissor ( à fim de manter uma conexão mental). É bom citar que os dois já se conhecem. O emissor, então, vai a uma outra sala, onde  se encontrará em frente a  um computador que, aleatoriamente,  enviará instruções para acalmar o receptor, ou excitar seu sistema nervoso. Para a ordem “excitar” o emissor devera pensar no receptor fazendo atividades físicas, como correndo, subindo uma ladeira, etc. Para a ordem “acalmar”, o emissor deverá pensar no receptor em um ambiente tranquilo e relaxante. Essa ordem dada pelo computador dura cerca de 20 segundos, e esse é o período que o emissor deverá tentar atingir mentalmente seu “alvo”. Depois disso pede-se pra ele, o emissor, tirar a atenção sobre o receptor, até que uma nova ordem seja dada pelo computador. Segundo Dean Radin, num período de 30 minutos daria pra se fazer 20 tentativas tanto para “acalmar”, quanto para “excitar”, aleatoriamente: “No final de cada sessão experimental, o investigador toma o registro dos 30 minutos contínuos com os dados da condutância elétrica da pele do receptor e o separa em subconjuntos, destacando os períodos em que o emissor estava dirigindo pensamentos tranquilizantes, daqueles em que ele estava dirigindo pensamentos excitatórios ao receptor” (Radin, pag. 134). Os resultados foram muito positivos, no sentido que houve uma interação mental genuína, como veremos mais adiante.

Na Universidade Hospitalar de Freiburg, na Alemanha, em 2004, o psicólogo Stefan Schmidt e seus colaboradores fizeram uma metanálise desse tipo de experiência juntamente com um outro experimento semelhante a esse, porem com metodologia um pouco diferente, mas que mesmo assim  visava identificar a veracidade da influencia mental num sistema vivo distante e isolado, assim avaliando também “o poder da mente”  num outro vivo, quando um emissor lhe dirigia uma atenção fixa.. Este outro trabalho é uma pequena variância do primeiro, mas que visam chegar as mesmas conclusões, a saber, se a Mente seria capaz de influir, sem a intervenção dos sentidos normais, num outro sistema vivo, mais especificadamente no seu sistema nervoso autônomo, por meio também da medição da condutância elétrica da pele do receptor. Nesses estudos, o psicólogo e sua equipe da Universidade de Freiburg descobriram 40 estudos sobre as Interações Mentais Direta Com Sistemas Vivos, relatando 1055 sessões individuais, conduzidos em 1977 e 2000. Os resultados foram altamente significativos, revelando  alterações genuínas entre a mente fixa do emissor  no sistema nervoso autônomo do receptor, com probabilidades de mil para uma contra os resultados do puro acaso. A análise conjunta de Schmidt (metanálise) demonstrou cientificamente uma evidencia muito forte de que pensar a respeito de outra pessoa a distância influencia seu sistema nervoso autônomo! Isso significa que quando pensamos intensamente (ou nem tanto assim ) em outra pessoa, este o percebe, à nível inconsciente, resultando em alterações físicas em seu sistema nervoso e em alterações elétricas  na pele. Claro que não se pode dizer, cientificamente, que esta provado o “mal olhado” ou aquelas sensações subjetivas de estar sendo observado. Mas com certeza, esses experimentos bem sucedidos fornecem a base empírica para a realidade desses fenômenos tão comuns no cotidiano e tão pregadas pelo espiritismo. Portanto existem bases sólidas a partir de um conjunto de evidencias de que a Mente atua diretamente dos órgãos físicos dos sentidos, mas que repercutem no corpo em alterações físicas medíveis, evidenciando a força Mental, como um entidade real e fundamental do universo.

Então, podemos dizer, pensar a respeito de outra pessoa também efetua mudanças em seu cérebro? Uma outra classe de experimentos realizados no período da parapsicologia, revelam mais uma vez esta realidade, a saber, a correlação psíquica, entre duas pessoas. Esse projeto também foi realizado, com pleno sucesso: Coloca-se duas pessoas, de preferência ligados por laços emocionais separados, cada um  ligado a equipamentos de electroencefalograma (EEG), sendo que para o emissor, emite-se, intermitentemente, uma luz a qual ativará seu lobo occipital (região do cérebro responsável pela visão). Foi verificado uma real interação em vários experimentos realizados, por diversos pesquisadores, pois quando ativava esta região do cérebro do emissor, esta mesma área era ativada no receptor! Radin afirma: “ Isso expressa não apenas que uma correlação significativa foi observada entre dois cérebros, mas também que a localização precisa do cérebro associada a esta conexão foi determinada” (Radin, p. 139).E considerando a importância desse estudo em particular  e a negação ou desprezo desses impressionantes resultados por parte da comunidade científica em geral, Radim afirma que “isso é pior que perder uma historia a respeito de alienígenas aterrissando no gramado da Casa Branca; é como descobrir um alienígena fazendo compras na seção de congelados em um supermercado sem que ninguém dê a menor importância!” (Radim, p. 140)

Como podemos deduzir daí, estas pesquisas feitas de forma totalmente imparcial, desprovida de qualquer pre-conceitos religiosos ou místicos, possui implicações profundas quanto a natureza real da Mente e suas consequências no mundo físico. Há vários anos antes, desde a solidificação dos princípios básicos da doutrina espirita por Alan Kardec, já implicava esses resultados. Posteriormente ao período conhecido como Espirítico,  surgiu a Metapsiquica como  uma forma de “comprovar mais “cintificadamente” os postulados de Kardec e a veracidade de tantos outros fenômenos psíquicos, que, naquele tempo, se tornaram cada vezes mais evidentes, pelos trabalhos de vários médiuns e sensitivos deste período. Nesta nova ciência surgiram vários outros pesquisadores sérios, céticos e independentes de qualquer doutrina, e que tentaram em muitas de suas pesquisas independentes demonstrar a veracidade destas interações mentais, na forma de telepatia e outros fenômenos subjetivos que implicam numa ligação psíquica, entre o emissor e o receptor. Neste período da Metapsíquica, pós período Espirítico, surgiu uma comunidade de cientistas e psicólogos céticos interessados na fenomenologia paranormal e que criaram a Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres¹, a qual verificou-se muitas vezes, em seus estudos sistemáticos, esta interação de modo clara e evidente. Um trabalho qualitativo muito interessante realizado por esta sociedade, e que pode ser a complementação dessas últimas pesquisas citadas pela comunidade de parapsicologia atual, apesar de ter sido levado a cabo no final do século XIX, foi a transmissão de sensações entre o magnetizado e o magnetizador, ou seja, numa linguagem atual, a relação mental ou psíquica entre o magnetizador (hipnotizador) e magnetizado (hipnotizando):

“Fred Wells, rapaz de vinte anos, adormecido, estava sentado numa cadeira, de olhos vendados, e o sr. Smith, o operador, mantinha-se atrás dele. O paciente foi adormecido pelo sr. Smith com o auxílio de passes. O operador foi então picado ou beliscado fortemente em diferentes pontos, e essa operação durava geralmente um ou dois minutos. Um silêncio absoluto foi observado, exceto quanto a uma pergunta necessária: ‘Você está sentindo alguma coisa?’ Essa pergunta foi feita pelo sr. Smith, já que o paciente parecia não ouvir outras pessoas. Na primeira série de experiências, o sr. Smith segurava uma das mãos do paciente, mas tendo sido considerada uma precaução inútil, o contato entre o operador e seu paciente foi rompido nas experiências posteriores.

Primeira série — 4 de janeiro de 1883.

  1. A parte superior do braço direito do sr. Smith foi beliscada várias vezes. — Mais ou menos dois minutos depois, o sr. Wells pôs-se a esfregar a parte correspondente do seu corpo.
  2. Beliscão atrás do pescoço. — Mesmo resultado.
  3. A panturrilha da perna esquerda golpeada. — Mesmo resultado.
  4. A orelha esquerda beliscada. — Mesmo resultado.
  5. As costas da mão esquerda beliscadas. — Mesmo resultado
  6. As costas golpeadas. — Mesmo resultado.
  7. Os cabelos puxados. — Wells localiza a dor no seu braço esquerdo.
  8. O ombro direito golpeado. — A parte correspondente do paciente é determinada com exatidão.
  9. As costas da mão esquerda beliscadas. — Mesmo resultado
  10. Picada atrás do pescoço. — Mesmo resultado.
  11. Dedo do pé esquerdo pisado. — Ação nula.
  12. Orelha esquerda picada. — A parte correspondente é indicada com exatidão.
  13. O ombro direito golpeado atrás. — Mesmo resultado.
  14. A panturrilha da perna direita beliscada. — Wells toca seu braço.
  15. A palma da mão esquerda picada. — A parte correspondente é indicada exatamente.
  16. O pescoço, abaixo da orelha direita, picado. — Mesmo resultado.

Conseqüentemente, temos aqui: Em 16 experiências,13 sucessos, 3 fracassos.” (Dellane, p. 302)

 

Essas experiências, que foram feitas dezenas ou centenas de vezes, com resultados semelhantes, no período Metapsíquico, são a forma fenomenológica que se expressam a experiência de ligação mental entre sistemas vivos, citados anteriormente pela parapsicologia. Não há quem não veja a importância teórica desses resultados, desde a era Espirítica, até os dias de hoje. Os resultados parecem ter sido sempre semelhantes, revelando a realidade de uma ligação mental, psíquica, entre pessoas. Entretanto, esta relação já tinha sido identificada bem antes de Kardec, no período chamado de Magnético, nos séculos XVII e XVIII, em que se destacaram grandes magnetizadores (hoje conhecidos como hipnotistas) que faziam muitas experiências entre eles e o magnetizado (conhecido hoje como em estado de transe), relatando as constantes ligações telepáticas entre um e outro. Porém nesse período não se pode ter certeza quanto a garantia e a eficiência do método cientifico aplicado por essas magnetizadores que estudaram esses fenômenos. Mesmo assim, nesse período, se tem relatado interessantes resultados sobre essa interação mental entre indivíduos:

Após sua descoberta do sonambulismo, Marques de Puységur, famoso hipnotista no final do século XVIII, relatando as transmissoes de ideias e sensações durante o estado magnético (hipnótico), ficou surpreso ao ver que seu paciente repetia em voz alta uma ária que ele cantarolava interiormente:

“Quando ele está no estado magnético, diz o marquês, não é mais um camponês simplório, que mal sabe responder uma frase: é um ser que não sei dominar. Não preciso falar-lhe, penso diante dele, ele me ouve e me responde. Entra alguém no seu quarto, ele o vê se eu quero. Ele fala bem; diz as coisas que quero que diga, nem sempre tal como lhas dito, mas como a verdade o exige. Quando quer falar mais do que acho prudente que se ouça, então detenho-lhe as ideias, as frases, no meio de uma palavra, e mudo-lhe completamente o pensamento.” (Dellane, pag. 307)

Joseph Charpignon, outro pesquisador do estado hipnótico no século XVII, chamado de estado magnético naquela época, fala de sua certeza quanto à comunicação do pensamento:

“Muitas vezes formamos na nossa mente imagens fictícias, e os sonâmbulos que questionávamos viam essas imagens como realidades. Com frequência, obtivemos uma palavra, um sinal, uma ação, segundo uma pergunta mental. Outros, fazendo aos sonâmbulos perguntas em línguas estrangeiras desconhecidas dos magnetizados, obtiveram respostas indicando não a compreensão do idioma, mas do pensamento daquele que falava, porque, se o experimentador falava sem compreender, o sonâmbulo não era capaz de captar o sentido da pergunta.” (Dellane, pag. 308)

Estes resultados de estudos feitos no final do século XVII e XVIII, no período Magnético, foram observados no período Espirítico de Kardec e, posteriormente, corroborados pelos  trabalhos da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, no período Metapsíquico (como o exemplo citado anteriormente feito  por esta sociedade, com maior rigor de método científico). Agora a ciência atual, através da parapsicologia,  com seu método quantitativo e com instrumentos capazes de mostrar mais precisamente esta ligação mental entre duas pessoas, apenas acaba de reforçar e evidenciar esta realidade de uma forma quase “incontestável”. Todos os resultados atuais confirmaram esta correlação de uma mente sobre outra, observadas a séculos, porém sempre negada pelo paradigma materialista reducionista.

Mas qual a implicação das descobertas  da parapsicologia atual, mais especificadamente com os experimentos de  Interação Mente –Materia com Sistemas Vivos  (DMILS) tem  na Ciência Espírita?  Vemos que estes estudos  parecem formar o modus operandis dos fenômenos de telepatia, e das sensações em que, por exemplo,  uma das pessoas com ligações afetivas tem um sentimento ruim, subjetivo, de que algo de mal esta prestes a acontecer com seu afeto distante. Parecem formar, também, o modo com que as obsessões em geral, em especial as telepáticas (obsessão entre vivos) ocorrem. Marlene Nobre, pesquisadora e estudiosa do movimento espírita,  afirma que esta influência negativa (telepática) entre pessoas encarnadas é mais comum do que podemos imaginar (Nobre, pag.22). Além de há muito pregada pelo espiritismo, essa má influencia telepática pode ser observada por muitos médiuns videntes. Pessoas odiadas por outras, dizem certos sensitivos, apresentam frequentemente “formas-pensamentos” carregadas por energia negativa “grudadas” em sua aura. Essas formas-pensamentos são a materialização ou as maneira como essas ondas mentais se manifestam e as quais constantemente estamos emitindo ao ambiente e recebendo, de pessoas que pensam em nós. Em outras palavras, toda energia mental que enviamos ou recebemos possuem formas definidas, contendo em si mesmas qualidades energéticas adstringentes, irritantes, excitantes, calmantes,  conforme o pensamento e o sentimento que o forma.  O famoso médium James Van Praagh, em sua obra “Espíritos Entre Nós”, cita o caso de um produtor de TV, de quem ele teve contato, que era egoísta e arrogante com seus funcionários, sendo portanto, detestado por muitos:

“Sombras escuras e sujas e formas que pareciam cobras se projetavam do topo de sua cabeça. Em suas costas, as formas pareciam facas ou espadas, como se ele fosse um porco-espinho. O que pensei instintivamente foi que as espadas talvez fossem formas de pensamento negativo lançadas por pessoas a quem ele prejudicara. Afastei-me e fui me refugiar em meu escritório, onde anotei o que havia testemunhado. Era óbvio que esse produtor não tinha idéia das formas de pensamento negativo que carregava nas costas. Essas energias provavelmente ainda levariam muitos anos para surtir efeito em seu corpo, mas quem pode ter certeza? Quanto mais ele se envolvesse com o mal e quanto mais desrespeito e insensibilidade demonstrasse para com os outros, mais poder esses encostos provavelmente acumulariam, deixando-o exposto a algo muito pior, que é a possessão” (Praagh pag.108)

Já o famoso C.W. Leadbeater, vidente e sensitivo do movimento Teosófico que estudou e observou várias vezes por si mesmo o fenômeno de emissão e recepção de ondas mentais entre pessoas (na estrutura de formas-pensamentos) diz:

“Quando o homem dirige o pensamento para um objeto concreto, um livro, uma casa, uma paisagem, por exemplo, forma-se na parte superior do seu corpo mental urna pequenina imagem do objeto, a qual flutua em frente do rosto, ao nível dos olhos. […] Quando o nosso pensamento é puramente contemplativo e não encerra um determinado sentimento como a afeição ou a aversão, nem um determinado desejo, como por exemplo, o desejo de ver a pessoa em quem pensamos, o pensamento não afeta sensivelmente essa pessoa. […]Se, ao contrário, ao pensamento acompanha um sentimento qualquer, de afeição, por exemplo, além da formação da imagem, produz-se um outro fenômeno. O pensamento afetuoso cria uma forma definida a custa da matéria do corpo mental. Demais, por causa da emoção que encerra, atrai a matéria do corpo astral. Assim, constitui-se uma forma astro-mental que se escapa e flutua através do espaço na direção do objeto visado.” (Leadbeater, pag. 30) (grifo nosso)

Essa forma “astral-mental” se refere às formas-pensamentos que constantemente emitimos quando pensamos em outra pessoa. Essas ondas mentais, segundo o autor, possui formas próprias para cada pensamento e sentimento. Formas de garras, para pensamentos de inveja, formas de espinhos ou flechas para pensamentos de ódio, e assim por diante, como foi observado também por Van Praagh. E certas pessoas dotadas de visão clarividente, são capazes de vê-las formando  tanto pela pessoa que pensa e sente emitindo essas formas, quanto na recepção da pessoa “alvo” do pensamento. Vários sensitivos descrevem esses fenômenos à séculos, porém como nunca houve nenhum interesse da ciência em estudar tais casos, caiam esses fenômenos no campo do misticismo. Podemos dizer que a Teosofia e o Kardecismo foram as primeiras matérias em tentar aplicar uma metodologia científica para estudar esses e tantos outros fenômenos ditos “paranormais”. A parapsicologia, deste 1930 até os dias de hoje, contudo, tem mostrado cientificamente a veracidade de certos aspectos deste fenômeno e de tantos outros.

É importante ressaltar que para estar à mercê destas formas energéticas, é necessário estar em sintonia com elas, para que encontrem ressonância na aura da pessoa. No caso deste produtor de cinema citado por Praagh, como estava vivendo na mesma sintonia vibratória de rancor, orgulho e prepotência, estava vulnerável a estas energias mentais igualmente negativas que eram enviadas pelas outras pessoas ao seu derredor. É por isso que nos centros espíritas, quando se esta recebendo o “passe magnético” os passistas pedem as pessoas a pensar em Deus, Jesus, ou qualquer outro pensamento com sentimentos positivos, à fim de estar em ressonância com as energias mentais que serão enviadas ao paciente, permitindo que sua “aura” seja receptivas a essas energias com propriedades curativas.

É interessante notar aqui, que se uma onda mental dirigida a uma certa pessoa pode causar variações diretas no sistema nervoso autônomo de uma receptor, tanto no sentido de o “relaxar” ou “excitar”, segundo a vontade do emissor desta onda, como demonstra os experimentos da parapsicologia atual; que pode causar também a  mesma sensação sensorial orgânica que sente seu emissor, fica claro que ocorre também mudanças no campo áurico e perispiritual de uma pessoa que recebe uma certa onda mental dirigida por parte de um emissor. Isso nos dá o direito de crer na visão desses videntes, com relação às formas-pensamentos acopladas no campo áurico das pessoas! E mais: se uma onda mental dirigida com certa intensidade pode causar mudanças fisiológicas em um receptor qualquer, pode também, conter esta onda, qualidades benéficas ou maléficas segundo a qualidade dos pensamentos que lhe dá origem, formando assim, a base fundamental do passe magnético e do passe à distancia, tanto praticada nos centros espíritas do Brasil e do mundo todo, com outros nomes como Reike, Toque Terapêutico, etc. Por isso, muitos passistas, dispensam a imposição de mãos, por saberem (e os postulados espiritas dizem isso) que basta apenas a direção mental do passista, nesses trabalhos energéticos assistenciais. Dessa forma, todos esses fenômenos, ou seja, o passe, as obsessões telepáticas ou espirituais, os “encostos”, o “mal olhado” nada mais seriam do que uma onda mental dirigida a alguém, que pode conter qualidades benéficas ou maléficas, segundo a intenção e o sentimento do emissor que poderá ser, em tese, um encarnado ou desencarnado. E as pesquisas com respeito à Interação Mental com Sistemas Vivos (em que o emissor consegue alterar, com a força do seu pensamento, o sistema nervoso do receptor a distancia) mostra o modus operandi desses fenômenos.

Quando uma onda mental maléfica dirigida é acentuada com o tempo ou com a própria vontade do emissor, poderia causar, então, e em tese, o processo bem conhecido como possessão espiritual, nas quais o emissor e o receptor se encontrariam em uma grande afinidade de ondas, e as sensações de um e de outro (mal estar, dores, etc) seriam percebidos entre ambos, num processo de interação mental recíproca, como demonstra o experimento citado acima, feito pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres e, mais especificadamente, os resultados experimentais  bem sucedidos de correlação entre electroencefalograma (EEG)  anteriormente comentado, feito pela parapsicologia atual (a ativação de um mesmo ponto do cérebro de um emissor corresponde ao estímulo visto na mesma região do cérebro de um receptor). As semelhanças entre esses experimentos e os processos medianímicos em geral, observados em toda a fenomenologia espírita são tão grandes que mostram possuir a mesma causa: O pensamento dirigido, que pode possuir qualidades benéficas ou maléficas, segundo a intenção e sentimento de um determinado emissor. Os processos mediúnicos e anímicos, ganham, portanto, um status de uma verdade científica, se assim podemos exprimir, com base e fundamento nesses diversos experimentos citados, que já foram tão observados e realizados, com métodos diferentes, nos períodos Magnético (pre-kardec), Espiritico, Metapsíquico e agora  Parapsicológico atual, com seus métodos quantitativos e bem controlados. A ciência Espirita, porém, teve o mérito de reunir esses fenômenos, numa teoria consistente e que consegue englobar todos esses fenômenos, de forma coerente.

A parapsicologia atual, portanto, apesar de reducionista e materialista, é obrigada agora a aceitar esta interação Mente-Matéria, mesmo na sua forma rudimentar. Esta Ciência apenas parece estar apenas repetindo as descobertas do passado, e tentando dar a cada fenômeno paranormal explicações mais “cientificas”, de acordo com os critérios metodológicos exigidos na atualidade. O problema da parapsicologia de hoje é que ela tenta dar uma explicação isolada para cada fenômeno dito paranormal,  não tentando juntar todos esses estudos num arcabouço ou teoria coerente que explique o conjunto dos fatos. A Doutrina Espírita, no seu aspecto científico, tem a vantagem de explicar todos esses fenômenos  numa teoria simples e coerente, englobando toda a fenomenologia psíquica, incluindo aqui também os fenômenos mediúnicos observados e relatados desde tempos remotos.

NOTAS

  1. A Sociedade de Pesquisas Psiquicas de Londres, Society for Psychical Research (SPR), foi fundada em 1882, na Inglaterra, por eminentes pesquisadores das questões espíritas, com o intuito sem fim lucrativos de registrar a maior quantidade de fenômenos paranormais possíveis, desde telepatia à materializações de entidades. Esta sociedade é uma das maiores autoridades mundiais em relatos e registros de fenômenos psíquicos e muito tem contribuído para a estruturação e propagação do espiritismo científico.

 

BIBLIOGRAFIA

DELLANE, Gabriel. Pesquisas Sobre Mediunidade. 1ª edição Editora do Conhecimento: São Paulo, 2010. (Tradução do original Recherches Sur La Mediumnité (1902) de Gabriel Dellane)

KARDEC, Allan. O livro dos Espiritos. FEB. Disponível no site: http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/135.pdf

LEADBEATER, C.W. Compendio de Teosofia. Disponível no site http://pt.scribd.com/doc/40792902/Compendio-de-Teosofia-C-W-LeadBeater#scribd

NOBRE, Marlene. A Obdsessão e Suas Máscaras. 13ª edição. São Paulo: Editora Jornalistica Fé, 1997;

RADIN, Dean. Mentes Interligadas: evidencias cientificas da telepatia, da clarividência e de outros fenômenos psíquicos. São Paulo:Editora Aleph, 2008.

PRAAGH, James Van. Espíritos Entre Nós. Editora Sextante, 2009.

 

FELIPE FAGUNDES

E-mail:felipefagun@hotmail.com

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Espiritismo e Política

VI – Influência do Espiritismo no Progresso

O Livro dos Espíritos:

  1. De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso?

      — Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro interesse. A ‘vida futura não estando mais velada pela dúvida, o homem compreenderá melhor que pode assegurar o seu futuro através do presente. Destruindo os preconceitos de seita, de casta e de cor, ele ensina aos homens a grande solidariedade que os deve unir como irmãos.

O Espírita tende a não se envolver em política, e dentro das casas Espíritas é quase que um assunto proibido, até certo ponto é compreensível que tal envolvimento deva ser ignorado. A questão é que POLÍTICA vai muito além do que apenas partidos e candidatos, é a “ciência de organizar” cultivar valores de cidadania é contribuir para o progresso uma vez que Espíritas se instruem na arte de servir, cultivam valores fraternos e de coletividade, assumindo o papel sensível diante os mais necessitados.

Muitos políticos discursam que e praticam políticas públicas de resgate e de inserção de parte da população com assistencialismo, outros creem que o enriquecimento do país ascenderá a camada mais pobre a condições mais humana, só que todos se esquecem de trabalhar o mais importante que é a dignidade humana.

O Espiritismo busca tratar justamente a crença da riqueza, enriquecendo o convívio aonde todos se tornem parte do problema, formando uma rede de crescimento sustentável e contagiante.

O Livro dos Espíritos:  685 – a) Mas o que fará o velho que precisa trabalhar para viver e não pode?

      — O forte deve trabalhar para o fraco: na falta da família, a sociedade deve ampará-lo: é a lei da caridade.

Comentário de Kardec: Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar, é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá sempre intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos.

      Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das conseqüências desastrosas desse fato? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si mesmo e para os seus, de respeito pelo que é respeitável,hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisso está o ponto de partida, o elemento real do bem- estar, a garantia da segurança de todos.

O Espírita consciente de seu papel deve se engajar em causas políticas, afim de promover a transformação pelo exemplo de como ser um cidadão, e sempre que oportunidades surgirem mostre sua postura cristã, rejeitando meias verdades ou falsas ilusões.

O Livro dos Médiuns:   Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa.

Herculano Pires:  “O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa.”

Analisar e ponderar racionalmente é o papel do Espírita na política.

politica e espiritismo

 

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O Que é o Espiritismo?

o que é o espiritismo

Introdução ao conhecimento do mundo invisível, pelas manifestações dos espíritos.

 

         As pessoas que só têm conhecimento superficial do Espiritismo são, naturalmente, inclinadas a formular certas questões, cuja solução podiam, sem dúvida, encontrar em um estudo mais aprofundado dele; porém, o tempo e, muitas vezes, a vontade lhes faltam para se entregarem a observa- ções seguidas. Antes de empreenderem essa tarefa, muitos desejam saber, pelo menos, do que se trata e se vale a pena ocupar-se com tal coisa.

 perguntas e respostas rapidas Perguntas e respostas:

O Que é o Espiritismo? – Filosofia trazida por Allan Kardec um educador francês do século XVIII através das obras:

 

codificação o livro dos espíritos

O Livro dos Espíritos de 1857 – Pedra fundamental, livro de perguntas e respostas, contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade.

codificação1 o livro dos médiuns

O Livro dos Médiuns  de 1861 – Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

codificação2 o evangelho segundo o espiritismo

O Evangelho Segundo o Espiritismo de 1863 – Contendo a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida.

codificação3 o céu e o inferno

O Céu e o Inferno (ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo) de 1865 – Contendo o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal para a vida espiritual, as penas e as recompensas futuras, os anjos e os demônios, as penas eternas, etc.

codificação4 a gênese

A Gênese Os milagres e as predições segundo o Espiritismo de 1868 – Trata dos problemas genésicos e da evolução física da Terra.

Obras complementares:

O Que é o Espiritismo de 1859 – Noções elementares do Mundo Invisível pelas manifestações dos Espíritos.

O Espiritismo em sua expressão mais simples de 1862 – “O objetivo desta publicação é dar, num quadro muito sucinto, o histórico do Espiritismo e uma idéia suficiente da Doutrina dos Espíritos, para que se lhe possa compreender o objetivo moral e filosófico. Pela clareza e pela simplicidade do estilo, procuramos pô-lo ao alcance de todas as inteligências. Contamos com o zelo de todos os verdadeiros Espíritas para ajudar a sua propagação. – Allan Kardec”

Viagem Espírita em 1862 de 1867 – Nos anos de 1860, 1861, 1862, 1864 e 1867, Allan Kardec, aproveitando as férias da Sociedade Espírita de Paris, deslocou-se da capital francesa para visitar, no interesse do Espiritismo, algumas cidades do interior da França e da Bélgica.

Obras Póstumas de 1890 – Representa o testamento doutrinário de Allan Kardec. Reúne os seus derradeiros escritos e as anotações íntima, destinadas a servir mais tarde para a elaboração da História do Espiritismo que ele não pode realizar.

Revistas Espíritas de 1858 à 1869 – Uma variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição do “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, e que representa de alguma maneira a sua aplicação.

O Principiante Espírita é uma obra publicada após a morte de Allan Kardedc. Contém os ensinamentos anteriormente apresentados por Kardec nos capítulos II e III de “O Que é o Espiritismo”.

Se quiser saber mais, navegue por nosso blog e aproveite nosso conteúdo, também pode entrar em nosso grupo de estudo em tempo real no Whatsaap.

grupo espírita whatsaap

 

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Comunicação com os MORTOS

neurociencia neuroespiritualidade

Embora o estudo de experiências espirituais tenham sido negligenciado pelos cientistas no século passado, atualmente diferentes linhas de pesquisa estão se associando rumo à compreensão da consciência e da dissociação mediúnica.

Por Júlio Peres

 Júlio Peres é psicólogo clínico, doutor em Neurociências e Comportamento (Instituto de Psicologia, USP), tem pós-doutorado pela Universidade da Pensilvânia e UNIFESP.Pesquisador do PROSER (Instituto de Psiquiatria, USP). http://www.clinicajulioperes.com.br   
  • NEUROESPIRITUALIDADE

 

A pergunta “O que a neuroimagem revelaria sobre a suposta comunicação espiritual?”, por alguns anos, revisitou minha mente até realizarmos o presente estudo. Encontrávamo-nos
na Filadélfia, em julho de 2008, com dez médiuns brasileiros, no Centro de Radiologia e Medicina Nuclear da Universidade da Pensilvânia, para investigar, por meio da neuroimagem, a interessante prática da psicografia em que, supostamente, “o espírito escreve por meio da mão do médium”.

Na ocasião, também realizávamos um documentário sobre o tema e formulamos duas perguntas às pessoas que circulavam aleatoriamente pela prestigiosa universidade: “Você acredita na comunicabilidade espiritual? Por quê?”.

A despeito de muitos aceitarem essa hipótese, em geral, enquanto a primeira resposta “sim” era seguida da explicação “por experiências pessoais e/ou por uma questão de fé”, a resposta “não” era seguida pela declaração “não existem dados científicos que comprovem”.  Respostas assim também justificaram a presente investigação. Embora o estudo de experiências espirituais como a mediunidade tenha sido negligenciado pelos cientistas no século passado, atualmente, diferentes linhas de pesquisa estão se associando rumo à compreensão aprofundada da consciência e da dissociação mediúnica.

A mediunidade, fenômeno espiritual relatado com frequência em diversas culturas ao longo da história, é definida como uma experiência na qual o médium alega manter comunicação com a mente de uma pessoa falecida ou estar sob o seu controle. Essas experiências são, em geral, dissociativas, com manifestações de automatismo motor, sensorial ou cognitivo (exemplo: relatar/escrever pensamentos supostamente gerados por espíritos). Assim, não surpreende que o estudo da mediunidade tenha sido crucial para o desenvolvimento das ideias sobre os processos inconscientes e/ou dissociativos.

Por exemplo, o estudo clássico de Pierre Janet sobre a dissociação, de 1889, examinou vários médiuns; a tese de doutorado de Carl Jung envolveu um estudo de caso mediúnico; e William James pesquisou a médium Leonore Piper. A psicografa é uma das muitas formas dissociativas da expressão mediúnica. “Médiuns escreventes” alegam escrever sob a influência de espíritos e muitos escritos psicografados tiveram impacto em comunidades em todo o mundo.

psicografia espiritismo

Psicografia

Durante a psicografia, os médiuns escrevem narrativas estruturadas e legíveis, mas frequentemente alegam desconhecer o conteúdo ou a estrutura gramatical do texto escrito. Tivemos como objetivo investigar se esse tipo de estado de transe dissociativo se relaciona com alterações específicas na atividade cerebral que sejam distintas das verificadas quando se escreve normalmente, isto é, fora de um estado de transe. Nossa hipótese a priori era a de que as áreas envolvidas em processos cognitivos, quando se escreve conscientemente, tais como raciocínio e planejamento de conteúdo, deveriam mostrar ativação semelhante durante a escrita no transe mediúnico.

Examinamos dez médiuns brasileiros com 15 a 47 anos de experiência mediúnica e que produziam de duas a 18 psicografias por mês, que dividimos em cinco médiuns “menos experientes” e cinco com “experiência substancial”. O critério usado para classificar os médiuns como “experientes” foi que tivessem praticado a mediunidade há pelo menos 20 anos e produzissem no mínimo dez psicografias por mês à época do início do estudo. Nenhum deles recebia pagamento pela atividade mediúnica, que consideravam parte de sua missão de auxiliar pessoas que sofrem, e todos relataram ter tido experiências espirituais na infância e/ou adolescência.

Medimos o fluxo sanguíneo cerebral regional (FSCr) utilizando tomografia computadorizada com emissão de fóton único (SPECT) durante a psicografia (escrita em estado de transe dissociativo) e comparamos os dados com aqueles coletados durante a escrita em estado habitual de consciência ou de ausência de transe (tarefa de controle). O ato de escrever, nos dois casos, realizou-se em ambiente silencioso e com luz suave, em uma antessala do laboratório de neuroimagem. Pedimos aos voluntários que fizessem a psicografia tal como em suas atividades regulares como médiuns. Todos seguiram o mesmo procedimento: sentaram-se confortavelmente, fecharam os olhos, concentraram-se e fizeram uma oração. De modo geral, entraram em transe em poucos minutos, pegaram um lápis e começaram a escrever. Os médiuns relataram entrar em transe com facilidade e tranquilamente. Para a escrita de controle (em estado habitual de consciência), no mesmo local, pedimos que escrevessem sobre temas semelhantes aos que escreviam durante as psicografias.

SPECT - tomografia computadorizada por emissão de foton unico

  • Técnica SPECT
A tomografia computadorizada por emissão de fóton único, mais conhecida pelo acrônico SPETC é uma técnica tomográfica de imagem da medicina nuclear que utiliza a radiação ionizante de raios gama. No exame, é injetado no paciente o radiofármaco – substância que contém radionuclídeos. Tal marcador permite a identificação das áreas com maior e menor atividades do cérebro durante determinada tarefa, tal como a escrita.

“O estudo da mediunidade foi crucial para o desenvolvimento das idéias sobre processos inconscientes e/ou dissociativos”

A escrita avaliada das duas tarefas envolveu aproximadamente 350 palavras relacionadas ao período em que o cérebro esteve impregnado com o marcador para adquirir euroimagem. Essa análise foi “cega”, de modo que o avaliador não sabia a que grupo cada voluntário pertencia. Os seguintes critérios foram utilizados para avaliar a complexidade do conteúdo escrito: (I) pontuação, (II) seleção de itens do léxico e ortografia, (III) concordância verbal e nominal, (IV) desenvolvimento do tema, (V) estrutura das sentenças e articulação entre as partes e (VI) coerência. Os escores variaram de 1 a 4 para cada critério, do seguinte modo: (1) fraco, (2) regular, (3) bom, e (4) muito bom.

O decréscimo significativo do fluxo sanguíneo cerebral (FSC) ocorreu em várias áreas dos cérebros dos médiuns mais experientes, particularmente no cúlmen esquerdo, hipocampo esquerdo, giro occipital inferior esquerdo, cíngulo anterior esquerdo, giro temporal superior direito e giro pré-central direito (figura 1), durante a psicografia, em comparação com a escrita produzida em estado de vigília (sem transe).

Os conteúdos escritos durante os dois tipos de tarefas – com ou sem transe mediúnico – nunca haviam sido escritos anteriormente. Os escores médios de complexidade para o conteúdo psicografado foram significativamente mais altos em comparação com a escrita em estado habitual de consciência, tanto para amostra geral como para os médiuns mais experientes.

A análise de correlação linear, comparando-se as mudanças no escore de complexidade do conteúdo escrito a mudanças no FSC nas seis regiões relacionadas com o estado de psicografia, revelou tendência de correlação inversa, de modo que maiores níveis de complexidade estiveram associados com FSC progressivamente decrescente em cada região.

Nossa hipótese a priori não se confirmou, já que os resultados apresentaram significativas alterações no fluxo sanguíneo em diversas áreas do cérebro durante a psicografia, em comparação com a escrita fora do estado de transe. Além disso, os médiuns experientes, durante a escrita em estado de transe dissociativo, apresentaram FSCr significativamente mais baixo em comparação à escrita habitual da condição de controle ( figura 1).

Investigações neurofuncionais mostraram que a escrita é um processo complexo que exige sincronização de habilidades cognitivas, linguísticas e perceptomotoras. A complexidade do conteúdo escrito reflete a criatividade e planejamento do autor, destacados na atividade no giro pré-central, giro temporal superior direito, cíngulo anterior esquerdo, hipocampo, cúlmen e lobo occipital. Hipoperfusão nessas regiões tem sido relacionada a graves dificuldades para escrever. Os médiuns tiveram escores mais altos de complexidade, sugerindo que o planejamento para o conteúdo psicografado era mais sofisticados que o do conteúdo escrito em estado habitual de consciência. Supúnhamos que a maior complexidade do texto, envolvendo mais criatividade e planejamento durante a psicografia, exigiria maior atividade no giro pré-central direito, giro temporal superior direito, cíngulo anterior esquerdo, hipocampo esquerdo, cúlmen esquerdo e giro occipital inferior esquerdo do que a tarefa de controle menos complexa. Mas não foi o que ocorreu, especialmente no caso dos médiuns experientes.

  • Dissociação = Definida como ausência de integração de pensamentos, sensações e experiências à consciência e à memória. A espiritualidade e a religiosidade são prevalentes em pacientes com esquizofrenia e sintomas dissociativos. Entretanto, a variedade de aspectos metodológicos e as discrepâncias entre os estudos nerofuncionais realizados até agora tornam difícil articular uma compreensão abrangente dos correlatos neurais da dissociação patológica e não patológica. Destaca-se a necessidade de realização de mais pesquisas no âmbito da religiosidade/espiritualidade para que formas de dissociação saudáveis possam ser diferenciadas das formas patológicas. 

Transtornos psiquiátricos

Embora os voluntários do estudo tenham relatado alucinações auditivas, alterações de personalidade e outros comportamentos dissociativos, as entrevistas clínicas estruturadas excluíram transtornos psiquiátricos. Anormalidades de FSC no cíngulo anterior, pré-central, temporal e cúlmen podem predizer o desenvolvimento de psicoses de alto risco em indivíduos, com subsequente transição para psicose. O cíngulo anterior está relacionado ao sistema atencional em conjunção com regulação emocional, aprendizado, memória, detecção de erro, monitoramento de conflitos e planejamento. A atividade reduzida no cíngulo anterior, giro pré-central, giro temporal superior e hipocampo nos médiuns experientes pode explicar em parte a ausência de foco, de autoconsciência e de consciência sobre o conteúdo psicografado durante o estado dissociativo. Apesar de várias similaridades com a ativação cerebral relacionada em pacientes esquizofrênicos, os médiuns participantes do estudo não sofriam de esquizofrenia ou outros transtornos mentais. Esses achados sublinham a importância de futuras investigações endereçarem a precisão dos critérios para distinguir expressões dissociativas saudáveis e patológicas no escopo da mediunidade.

Consideramos algumas discussões entre nossos achados e estudos neurofuncionais sobre outros estados modificados de consciência. Em relação à sugestão hipnótica, alguns estudos mostraram maior ativação pré-frontal e dos circuitos relacionados à atenção, enquanto os médiuns experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade no sistema atencional frontal. Embora tenham sido observadas redução na conectividade frontal-parietal e desativações frontais depois de indução hipnótica em indivíduos altamente sugestionáveis, a hipnose é fenomenologicamente distinta das expressões mediúnicas e, por isso, as duas condições não são diretamente comparáveis. Além disso, assim como na meditação, a ideia de que a hipnose reflita um estado dissociativo ainda é controvertida.

Por outro lado, estudos sobre expertise cognitiva envolvendo planejamento mostraram circuitos neurais com maior atividade durante tarefas realizadas por especialistas. Por exemplo, assim como o planejamento de escrita refinada, o xadrez é um jogo que envolve muitos aspectos da cognição e requer habilidades sofisticadas de resolução de problemas. Especialistas no jogo mostraram atividade acentuada no cíngulo posterior, córtex órbito-frontal e córtex temporal direito quando comparados a enxadristas iniciantes. A observação neurofuncional de prodígios em cálculos aritméticos e especialistas em ábaco (antigo instrumento de cálculos matemáticos) também sugere que experts em tarefas cognitivas sofisticadas expressaram maior atividade em rotas cerebrais diferenciadas e mais extensas, como nos circuitos atencionais e de planejamento.

A tendência de correlação inversa encontrada em nosso estudo, quando se leva em conta a complexidade dos textos psicografados, merece discussões mais aprofundadas, investigações futuras e hipóteses elucidativas. Alguns poderiam especular que tais achados estejam relacionados àqueles mostrados em estudos sobre improvisação musical, em que a diminuição da atividade em circuitos atencionais pode ter envolvido o treinamento para a inibição da atenção, favorecendo a emergência da criatividade. Ainda sobre criatividade, um estudo recente mostrou que o consumo de álcool, que reduz a atividade do lobo frontal, parece aumentar a criatividade ou talvez, na verdade, diminuir a crítica. Contudo, os estados de improvisação musical – com acentuada participação da memória motora – e consumo de álcool são bastante particulares e distintos da psicografia, que envolve elaboração de textos inteligíveis com mensagens éticas, conteúdos não improvisados e, portanto, não podem ser comparáveis entre si.

“A tendência de correlação inversa encontrada em nosso estudo merece discussões  mais aprofundadas, investigações futuras e hipóteses elucidativas”

 

  • BASES OU CORRELATOS NEURAIS?

A professora de Psicologia da Universidade de Illinois, EUA, Jesse Lee Preston e colegas mostraram que explicações contundentes sobre as “bases” neurais de fenômenos psicológicos diminuíram as pontuações relativas as crenças na alma, enquanto a exposição das fragilidades da Neurociência em explicar a mente e a consciência aumentaram os escores relativos à crença na alma em estudantes com conhecimento em Psicologia e Neurociências. Todavia, considerando o destacado desenvolvimento da neuroimagiologia e o estado da arte das Neurociências, não podemos explicar como a atividade no cérebro cria a experiência dos fenômenos mentais. Portanto, o que parte dos neurocientistas atualmente chama de “bases neurais” deveria ser corrigido para “correlatos neurais”. É preciso cautela com declarações exageradas e ponderação ao interpretar os resultados obtidos em estudos nerofuncionais. 

mulher questões da vida

Questões não respondidas em laboratório: ” Como somos conscientes? ” ” Como nós experimentamos o Eu? ” “O que é o livre-arbítrio? ” “Quais são os ingredientes que constituem a personalidade única para cada ser humano? “

Hipótese Plausível

Estudos de processamento de linguagem sistematicamente mostram o envolvimento do córtex temporal superior e do giro pré-central como fundamental para processar palavras. O nível reduzido de atividade no córtex temporal, giro pré-central, hipocampo e cíngulo anterior em médiuns experientes também reforça os seus relatos subjetivos de que não tinham consciência do conteúdo escrito durante a psicografia, cujos temas envolveram princípios éticos/espirituais e a importância da união entre ciência e espiritualidade. Os médiuns referem que “a autoria dos textos psicografados foi dos espíritos comunicantes e não pode ser atribuída a seus próprios cérebros”, o que é uma hipótese plausível.

Os indivíduos relataram que o transe envolvia um “estado de relaxamento mental”. Tal relaxamento poderia explicar a atividade geral reduzida do cérebro, mas o fato de que os indivíduos produziram textos complexos em estado de transe dissociativo sugere que eles não estavam meramente relaxados. Os resultados também não condizem com simulação ou fraude, que têm sido oferecidas como explicações para a mediunidade. Circuitos neurais relacionados ao planejamento presumivelmente seriam recrutados para a composição dos textos, caso os indivíduos estivessem simulando tais conteúdos. Entretanto, as regiões associadas ao processamento cognitivo envolvidas em raciocínio e planejamento mostraram menor atividade.

A natureza da mente e sua relação com o cérebro ainda estão entre as questões mais desafiadoras para a ciência, e a despeito de tais perguntas não serem até o momento conclusivamente respondidas, suposições a esse respeito orientam intervenções terapêuticas. Até onde sabemos, esta é a primeira investigação neurofuncional sobre mediunidade. Levamos em conta teorias que examinam a criatividade e o planejamento de conteúdos escritos, potenciais substratos neurais envolvidos, experiências religiosas, dissociativas e a hipótese da comunicabilidade espiritual. Como primeiro passo para compreender os correlatos neurais envolvidos na dissociação mediúnica não patológica, enfatizamos que essas descobertas merecem mais investigação em termos de replicação e hipóteses explicativas. Contudo, fornecemos dados preliminares que apontam para uma potencial utilidade aos estudos epistemologicamente bem fundamentados dos estados dissociativos de consciência e das experiências espirituais para termos, num futuro próximo, diagnósticos mais precisos e intervenções terapêuticas eficazes. Agora, outras perguntas e desenhos neurofuncionais visitam minha mente. Convido os colegas neurocientistas a colaborarem e a investirem nessa importante linha de pesquisa para o aprimoramento de nossa compreensão sobre as manifestações espirituais e suas relações com o cérebro.

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  • A contribuição de Leonore

Considerada até hoje a médium que mais contribuiu para os avanços da pesquisa psíquica  e, especialmente, para a hipótese da vida após a morte, a norte-americana Leonore Piper, por mais de 40 anos, foi estudada por especialistas no tema, como William James, um dos fundadores da Psicologia moderna. Além dele, suas manifestações de mediunidade convenceram, inclusive, o prestidigitador e terror dos médiuns falsários, Richard Hodgson. Em uma de suas sessões, Leonore, ou melhor, Phinuit, uma de suas incorporações, falou do filho Herman que James perdera, fornecendo inúmeros detalhes que não deram ao especialista a menor dúvida a respeito da criança.

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  • Willian James – Considerou que a existência de um corvo branco provaria que nem todos os corvos são pretos, referindo-se aos estudos com a médium Leonore Piper e as evidências obtidas a respeito da comunicação espiritual.

 

Referências:

  • PERES J.F., Moreira-Almeida A,. Caixeta L., Leão F. Newberg A. Neuroimaging during trance state: a contribuition to the study of dissociation. PLoS One. 2012;7(11):e49360. doi: 10.1371/journal pone.0049360. Epub 2012 Nov 16.
  • PRESTON JL, Ritter RS, Hepler J. Neuroscience and the soul: competing explanations for the human experience. Cognition. 2013 Apr;127(1),31-7

http://www.clinicajulioperes.com.br

 

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